Assembléia Legislativa de SP quer instaurar CPI do Metrô

A paralisação de parte das obras da linha 4 do Metrô, anunciada nesta quarta-feira, 14, recomendada pelo laudo técnico que mostra irregularidades nas obras da futura estação Fradique Coutinho, não modificou as opiniões na Assembléia Legislativa de São Paulo sobre a instauração de uma CPI do Metrô. O PT continua otimista com a possibilidade de instalar a CPI ainda nessa legislatura, que termina em 14 de março. Já o PSDB acha que os trabalhos de investigação em curso na Casa são suficientes e não há necessidade de uma CPI específica para o caso. Mais cauteloso, o presidente da Alesp, Rodrigo Garcia (PFL), declara ser favorável à instalação de CPIs pela ordem cronológica. Por esse mecanismo, a do Metrô está no fim da fila, de um total de cerca de 60 pedidos.O PT protocolou nesta quarta pedido de abertura de uma CPI para averiguar as causas do acidente nas obras da linha 4. Segundo o deputado Ênio Tatto, do PT, "isso (laudo técnico e paralisação) só vem reforçar, infelizmente, o que já vínhamos defendendo. Os riscos que estão sendo verificados nas obras e a repercussão que isso está tendo reforçam a idéia da CPI", disse Tatto.Tatto e Sebastião Arcanjo, também do PT, mostraram-se confiantes sobre a possibilidade de cumprir os prazos para a instauração e conclusão de uma CPI do Metrô ainda nessa legislatura. Já a líder da bancada do PSDB, Rosmary Corrêa, acredita que a oposição quer apenas criar um fato político com a tentativa de instauração da CPI."A conclusão da CPI ainda nessa legislatura depende de duas coisas: os deputados terem vontade de trabalhar e o governo não obstruir o trabalho da Comissão, barrando o acesso a documentos por exemplo", falou Tiãozinho. O deputado ainda comentou que a Alesp não pode negar outra proposta de CPI do Metrô, mesmo que os prazos para os trabalhos durante o fim da legislatura sejam curtos. "A Assembléia já jogou fora a oportunidade de fazer uma averiguação séria", disse, lembrando a primeira vez que foi proposta uma CPI para averiguar as obras, em janeiro de 2006.Aprovação em plenárioDepois do protocolo, o pedido de CPI segue para o presidente da Casa e para aprovação em plenário. Ênio Tatto prevê dificuldades na primeira etapa. "O presidente da Alesp tem como vocação arquivar CPIs", ironiza. Já a deputada Rosmary não acredita que o documento passará no plenário. "Não há clima para isso, porque a maioria está participando da Comissão Representativa" (que investiga o acidente ocorrido no dia 12 de janeiro), disse ela.A justificativa do PSDB para não apoiar a criação de uma CPI é de que a Comissão Representativa, criada em janeiro, já estaria apurando e investigando o acidente no Metrô. Em fevereiro, os deputados do PT se retiraram dessa Comissão, que perdeu fôlego, e agora conta com poucos representantes. Tatto reclama: "Já faz um mês e ainda não há nada de concreto". Rosmary acredita que até o final da legislatura, a Comissão Representativa conseguirá "apresentar aquilo que possa ser apurado, indicar possibilidade e caminhos".Caso o pedido de abertura de CPI não passe na Alesp, Tatto diz que os deputados do PT vão recorrer ao Supremo Tribunal Federal e "usar os mesmos argumentos que PFL e PSDB usaram para abrir a CPI dos Bingos em Brasília, quando passaram na frente de outras CPIs que já estavam protocoladas". O manifesto que pede ao STJ a abertura imediata da CPI deve ficar pronto nos próximos dias.Segundo Tiãozinho, existem ingredientes políticos que impediram que o número de assinaturas fosse maior que 32. "Há deputados da base que querem se credenciar junto ao governo Serra e se mostrar confiáveis ao novo governador", diz ele. O deputado também acusa o PSDB de pressionar os deputados que assinaram a retirar suas assinaturas. Rosmary nega e diz que não haveria motivos para isso já que "há uma expectativa real de que essa CPI não vai ser instalada".

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