Assembleia paulista deve inchar comissões

Disputa entre tucanos e petistas por assentos faz Barros Munhoz propor a criação de mais vagas nas principais comissões

Lucas de Abreu Maia, O Estado de S.Paulo

22 Abril 2011 | 00h00

Em um ato que tomou de surpresa as bancadas petistas e tucanas na Assembleia de São Paulo, o presidente da Casa, deputado Barros Munhoz (PSDB), divulgou a composição das 15 comissões permanentes, antes mesmo que houvesse acordo entre os partidos. A reação do PT e do PSDB foi tamanha que Munhoz se viu forçado a retroceder e adiar a instalação das comissões.

A disputa entre a bancada do PSDB e a presidência da Assembleia pela instalação das comissões indica que não é tão sólida quanto se supunha a base de apoio ao governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Os principais focos de disputa são as comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Transportes, em que, na formação atual, tanto PT quanto PSDB ficaram com apenas dois assentos, em vez dos três que ambos os partidos reivindicam.

Segundo parlamentares das duas legendas, a súbita decisão de Munhoz, tomada na noite da terça-feira, foi uma articulação do deputado Campos Machado (PTB), veterano na Assembleia e um dos principais aliados do governador. Machado estaria buscando o controle da Comissão de Transportes, responsável por analisar projetos como a ampliação do Rodoanel, a construção de novas estações do metrô e a implementação do trem-bala do Rio a Campinas. A assessoria do parlamentar petebista disse ao Estado que ele está fora do País e não poderia se manifestar.

Para tentar diminuir a tensão, Munhoz propôs anteontem aumentar de 11 para 15 os assentos de três comissões (Transportes, CCJ e Região Metropolitana), abrindo vaga para PT e PSDB. Mas o arranjo não deve ser suficiente para acalmar os ânimos. "Embora seja do mesmo partido dele (Munhoz), não posso concordar com a formação das comissões do modo como está", disse o deputado Orlando Morando, líder da bancada tucana na Assembleia.

"Não foi respeitado o princípio da proporcionalidade para o PT", afirmou o líder do partido, Enio Tatto. A formação das 15 comissões permanentes da Assembleia se arrasta desde que a nova legislatura tomou posse, há mais de um mês. Com a proposta de Munhoz de ampliar o número de assentos em quatro comissões, a disputa deve se estender ao menos até o início de maio, já que o projeto precisará ser votado pelos deputados da Casa. "A briga está apenas começando", avaliou um parlamentar.

Para Barros Munhoz, no entanto, a ampliação do número de assentos nas comissões será suficiente para atender às reivindicações dos partidos. "Eu acredito que chegamos a um bom termo." Ele negou que haja um racha na base de apoio ao governo do Estado no Legislativo.

Contra

ORLANDO MORANDO

LÍDER DO PSDB NA ASSEMBLEIA

"Embora seja do mesmo partido dele (Barros Munhoz, presidente da Assembleia), não posso concordar com a formação das comissões do modo como está"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.