Assembleia põe fim à greve de policiais na Bahia

Pressão popular foi determinante para a decisão dos policiais baianos; quem faltou terá ponto cortado e presos não serão anistiados

Tiago Décimo, Agência Estado

11 Fevereiro 2012 | 20h50

Atualizado às 23h17

Os policiais militares da Bahia decidiram, em assembleia na noite de ontem, encerrar a paralisação, que já durava 12 dias. No Rio, o segundo dia do movimento de bombeiros, policiais civis e militares teve pouca adesão e racha entre os próprios grevistas.

O policial militar baiano Ivan Leite, um dos líderes sindicais, admitiu que a pressão popular foi determinante para encerrar a paralisação. "Estávamos sendo jogados contra a sociedade", ressaltou. Segundo ele, o fim da greve foi negociado com o governo. "Estive à tarde com o comandante-geral da PM (Alfredo Castro) e conseguimos a anistia administrativa para toda a tropa grevista. Isso foi crucial para o fim do movimento." Na sequência, Castro veio a público e negou qualquer acordo ou reunião. "Já tínhamos dado a anistia para quem não se envolveu em crimes até sexta-feira. E o ponto de quem faltou na sexta e hoje (ontem) será cortado."

Na prática, segundo o comandante, os sindicalistas aceitaram na íntegra a proposta salarial apresentada pelo Estado desde terça-feira. Eles terão 6,5% de aumento retroativo a janeiro (mesmo reajuste definido para todo o funcionalismo), além do pagamento da Gratificação por Atividade Policial do nível 4 (em novembro e abril de 2013) e do nível 5 (a ser paga em 2014 e 2015).

A proposta de obter anistia ou afrouxamento dos mandados de prisão dos líderes grevistas – cinco já cumpridos – saiu definitivamente da pauta. Oito sindicalistas ainda são considerados "foragidos". Castro destacou, porém, que não vê ligação entre as chacinas ocorridas nestes 12 dias e os líderes grevistas. Mas afirmou que todos os casos serão investigados e os responsáveis, presos.

"Se algum PM foi flagrado cometendo crimes, terá de ser punido", admitiu Leite, que integra a Associação de Praças da Polícia Militar (APPM-BA) e a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado (Aspra) – organização responsável por deflagrar a greve.

Prisco. O presidente da Aspra e principal líder do movimento grevista, Marco Prisco, segue detido na Cadeia Pública de Salvador. "Falei sobre a negociação. Ele disse que entendia e aceitava a decisão da maioria, qualquer que fosse", afirmou Leite.

Flagrado em escutas telefônicas nas quais se discutiam supostas ações criminosas e uma greve nacional da categoria, Prisco poderá ter de responder a processos nas esferas militar (por motim), estadual (por danos ao patrimônio) e federal (por atentar contra a Lei de Segurança Nacional).

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