Epitacio Pessoa/AE-24/8/2011
Epitacio Pessoa/AE-24/8/2011

Assentados cobram solução para madeira

Famílias não podem vender nem retirar toras em assentamento em Iaras e exigem do Incra uso de verba obtida em leilão para melhoria dos lotes

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2011 | 00h00

SOROCABA

O presidente da Associação dos Assentados do Zumbi dos Palmares (Arzup), José Antonio Maciel, enviou na semana passada uma mensagem ao superintendente do Incra em São Paulo, José Giácomo Baccarin, pedindo um encontro para discutir o destino dos milhares de metros cúbicos de madeira que apodrecem nos lotes do assentamento, em Iaras (SP). Até sexta-feira, ele ainda não tinha obtido retorno e criticava a demora.

"Estamos denunciando a perda dessa madeira há mais de um ano e até agora não houve solução. Queremos que o Incra faça a venda através de leilão público e aplique o dinheiro no assentamento", disse Maciel. Reportagem publicada pelo Estado no dia 30 de agosto - mesmo dia em que Baccarin assumiu o cargo - mostrou que as toras de pinus avaliadas em R$ 10 milhões estavam apodrecendo nos lotes.

Há três anos as famílias assentadas estão sem água, energia elétrica e recursos para tornar o lote produtivo, mas não podem tocar na madeira já cortada, nem derrubar uma única árvore. Quem infringe a determinação perde o lote.

Leilão. A madeira provém de uma floresta que custou R$ 13 milhões aos cofres da União e deveria reverter em recursos para os assentados. Uma cooperativa do Movimento dos Sem-Terra (MST), contratada pelo Incra em 2008 para cortar e comercializar a madeira, foi acusada de desviar o dinheiro. Acionado, o Ministério Público Federal embargou o corte do que restava das árvores, mas autorizou a venda através de leilão público.

Na época, o superintendente Raimundo Pires da Silva, que foi substituído por Baccarin, constatou os desvios e abriu uma sindicância, mas não realizou o leilão. A alegação era de falta de recursos para a contratação de empresa especializada.

De acordo com Maciel, depois que o Estado mostrou o descaso com o dinheiro público, servidores do Incra em Iaras começaram a medir as pilhas de madeira que se espalham nos lotes e nas vias de acesso do assentamento. A assessoria de Baccarin, no entanto, informou que não há prazo para a realização do leilão. Segundo a assessoria, o Incra não dispõe ainda de um laudo técnico atualizado sobre a madeira.

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