Assentamento pode tornar-se pólo turístico de PE

Convencido de que reforma agrária não é necessariamente sinônimo de agricultura, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, garantiu, nesta quarta-feira, a liberação de R$ 275 mil para ajudar a consolidar o assentamento Barra Azul, em Bonito, a 140 km do Recife, como o primeiro assentamento agroecoturístico de Pernambuco. Os recursos, do Pronaf, vão permitir investimentos em infra-estrutura, capacitação dos assentados em turismo (recepção do viajante e formação de guias), incremento e diversificação da produção local e aquisição de mobiliário para que a casa-grande do antigo engenho Barra Azul que pertence ao assentamento funcione como pousada. O assentamento ocupa 820 hectares, dos quais 180 são de mata nativa, com uma cachoeira. Município de 38 mil habitantes, Bonito é considerado o melhor roteiro para o ecoturismo do Estado. O clima é ameno e possui reservas de mata atlântica e outras cinco cachoeiras, que vão do melhor banho ao mais bonito visual. Trilhas e esportes radicais - rapel, canyoing - são outras opções. "A idéia é aproveitar o potencial da área, com suas florestas água, beleza cênica e clima maravilhoso para que o turismo agroecológico possa ser a principal fonte de renda dos trabalhadores", afirmou o ministro, em visita ao local.Ele quer que o Barra Azul seja um laboratório, inspirando outros assentamentos. Há previsão de que outros dois assentamentos de Bonito - Riachão e Quilombo - também se transformem em pólos agroecoturísticos. Jungmann lembrou que os assentados desenvolvem no Barra Azul uma agricultura orgânica e respeitam a natureza. Por isso, ele sugeriu que todos os produtos do Barra Azul venham a ter, no futuro, um selo de qualidade que garanta a ausência de aditivos químicos, a fim de valorizar a produção e transformá-la em referência de qualidade e saúde. As 68 famílias assentadas no Barra Azul estão receptivas ao projeto, realizado pela técnica Nazaré Reis em conjunto com a Associação dos Pequenos Produtores de Barra Azul.Mas a grande preocupação delas gira em torno de perda da lavoura, débitos no Banco do Nordeste e do preço baixo dos produtos. Cada uma tem 10 hectares, onde cultiva inhame e banana. O primeiro financiamento conseguido pela Associação, foi para fruticultura - pitanga, acerola, goiaba - e açafrão. Segundo o procurador da associação, Ezil José da Silva, o projeto, feito por técnicos da Empresa Estadual de Extensão Rural, foi um fiasco, pela falta de assistência técnica durante a execução."Isso foi em 1996, e, até hoje, todos nós devemos de R$ 8 mil a R$ 15 mil ao Banco do Nordeste e nem podemos pagar e nem pegar novos empréstimos", afirmou ele. "Eu estou falido e sem poder botar pra frente a idéia de criar galinha caipira", contou Adesino Azevedo Neves, de 55 anos. Valmir Juvenal dos Santos, 29 anos, está satisfeito com a sua produção de mel, cultivada em 20 colméias na mata localizada na sua parcela de terra, mas ele tem esperança de expansão. "A associação produz 400 litros de mel por ano, o que é muito pouco diante da capacidade de produção e do mercado", disse ele."Vamos ver se com a continuação do projeto, a apicultura toma nova força."

Agencia Estado,

26 de setembro de 2001 | 23h32

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