Assento da porta de emergência é o mais disputado entre passageiros altos

Conformados com o pouco espaço dos assentos das aeronaves, muitos passageiros tentam dar um jeitinho para não passar por muito aperto. O executivo de uma empresa de transportes, o santista Marco Antônio Couto de Moura, de 49 anos, por exemplo, só viaja para o exterior de primeira classe, a mais espaçosa de todas. Para dar uma idéia, a primeira classe de um Airbus 330 tem sete poltronas e todas reclinam 180 graus. No caso de Moura não é uma questão de luxo, mas de necessidade. Seu tamanho não é o da média da população do País. Tem 1,90 metro de altura e pesa 165 quilos. "Sou muito grande para as poltronas dos aviões. Num vôo executivo ou econômico não consigo quase me mexer e assim mesmo acabo invadindo o espaço do vizinho,"diz ele. O executivo até encara viajar assim apertadinho em vôos curtos, de linhas domésticas. Ele desenvolveu alguns truques para driblar a falta de espaço. "Para poder escolher o assento, sempre chego ao aeroporto no mínimo duas horas antes do embarque. Na hora do check-in, nunca pego a poltrona do meio. Prefiro sempre a dos cantos, de preferência, perto do corredor." Moura tem um lugar preferido, mas que nem sempre consegue viajar nele: a poltrona que fica antes da porta de emergência. "Como não há assento em frente à porta, sobra mais espaço, e daí eu consigo até esticar um pouco as pernas", explica. Mas este é um lugar disputado nas companhias aéreas. "Às vezes chego cedo e alguém já pegou. Daí, não tem jeito. Sento onde dá. E chego ao destino doído e com muitas câimbras."O engenheiro mecânico Bruno Wagner, de 49 anos, de 1,92 metro de altura, também está sempre de olho no assento da emergência. Uma vez por semana, ele voa a negócios, de Porto Alegre para São Paulo. "Fico imprensado como se estivesse numa lata de sardinha."Wagner chegou a procurar ofertas de passagens de companhias que anunciavam um espaço maior entre a poltrona e o encosto do assento da frente. "A companhia oferecia dez centímetros a mais que as outras empresas aéreas, mas era tão apertado como as demais companhias", lamenta. Segundo o Idec, as empresas aéreas deveriam ter assentos especiais. "Todo mundo tem direito de viajar com conforto", diz Paulo Passini, do Idec.

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