Assessor do Senado e mais 18 são presos

Bens importados em cota de congressistas do PMDB eram vendidos em feira a 10 km do Planalto

Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

14 de novembro de 2007 | 00h00

A Polícia Federal prendeu ontem, na Operação Sete Erros, 19 pessoas envolvidas num esquema de contrabando de equipamentos eletrônicos e de informática, procedentes do Paraguai, para Brasília. Um dos detidos, Carlos Rudiney Arguelho Mattoso, trabalhava como assessor parlamentar, lotado na Presidência do Senado desde 2 de março de 2005. Assim que foi informado da prisão, o presidente interino da Casa, Tião Viana (PT-AC), mandou exonerar o assessor que, segundo nota oficial, "prestava serviços como fotógrafo". A quadrilha de contrabando eletrônico era comandada por sete irmãos libaneses que, segundo a PF, usariam empresas de fachada e CPFs falsos para fazer importação sistemática de mercadorias do Paraguai sem pagamento de impostos. O nome da operação (Sete Erros) é uma alusão aos irmãos, que têm dupla nacionalidade. Os equipamentos eram vendidos numa rede de barracas ligada à quadrilha, na Feira dos Importados, apelidada de "Feira do Paraguai", que fica a cerca de 10 quilômetros do Palácio do Planalto. Ontem, nove barracas foram fechadas e outras 20 estão sendo investigadas.Ao cumprir 31 mandados de busca, a PF apreendeu grande quantidade de mercadorias, quase R$ 300 mil em dólares, euros e reais, além de 11 carros, a maior parte importados de luxo. Dos presos, dois foram capturados em Foz do Iguaçu (PR) e 17 em Brasília. Um deles é o policial civil Reinaldo de Barros Miranda, que mantinha a quadrilha informada sobre as operações da polícia. Conforme as investigações, Rudiney tinha ligação antiga com a quadrilha e usava a cota de correspondência de dois deputados do PMDB alagoanos - Olavo Calheiros, irmão de Renan, e Joaquim Beltrão, aliado do senador - para remeter equipamentos contrabandeados para seus receptadores. Os dois parlamentares negaram, por meio da assessoria, saber que Rudiney usava a cota de correspondência deles para fazer remessas de contrabando. A PF apreendeu dois lotes de equipamentos enviados pelo assessor para receptadores em Mato Grosso e no Amapá. A assessoria de Renan informou que o senador desconhecia as atividades ilícitas do funcionário - Rudiney começou a trabalhar na Presidência do Senado duas semanas antes da eleição de Renan para o primeiro mandato de dois anos (2005-2007) no comando do Congresso, em 14 de fevereiro de 2005. Os advogados do funcionário exonerado disseram ontem que vão entrar com pedido de relaxamento da prisão - ele foi detido em casa, nas primeiras horas da manhã, e não ofereceu resistência. O empresário José Augusto Cardoso, também preso, atuava como um tesoureiro da quadrilha, esquentando dinheiro de origem ilícita e descontando cheques, por meio de uma panificadora e de um esquema de factoring. A superintendente da PF em Brasília, Walkíria Andrade, informou que a quadrilha vinha sendo investigada desde o fim do ano passado. Ela disse que, num período de quatro meses, o esquema importou o equivalente a quase R$ 1 milhão em mercadorias. Além dos sete irmãos, todos da família Diab, foram presos dois outros libaneses - um deles primo dos Diabs. São eles: Ali Ismael Diab, Hichan Hussein Diab, Mohamad Ismael Diab, Hassan Ismael Diab, Houssam Ismail Diab, Kassem Ismail Diab, Jamil Ismail Diab, Houssein Mohamad Diab, Sleiman Nassim El Kobrossy.Além de contrabando e descaminho, a investigação apurou a ocorrência de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, falsificação de documentos, falsidade ideológica, crimes contra a ordem tributária, sonegação fiscal e agiotagem. NÚMEROS19 homens foram presos pela Polícia Federal7 deles eramirmãos libaneses, líderes do grupo17 foram detidos em BrasíliaR$ 300 mil foramapreendidos em várias moedas11 carrostambém foram resgatados pela PF na operação de ontem31 mandados de busca foram expedidos

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