Assessor pede desculpas e presidente aceita

Lula evitou repreensão; ?não somos monstros?, afirma auxiliar de Garcia

Vera Rosa e Lisandra Paraguassú, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, pediu ontem desculpas pelo gesto obsceno feito na quinta-feira à noite. Apesar de ter ficado aborrecido com o episódio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não repreendeu Garcia. Lula encarou o episódio como "uma infelicidade, um acidente de percurso" e pediu ao chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, que tranqüilizasse o subordinado. Para Lula, o episódio está sendo superdimensionado. "Foi uma infelicidade, mas essas coisas acontecem", comentou o presidente. Mas a Comissão de Ética Pública do governo vai analisar o comportamento de Garcia em sua próxima reunião, no dia 30. Um dos principais auxiliares de Lula, ele será chamado a dar explicações, pessoalmente ou por escrito. Na nota divulgada ontem - com o pedido de desculpas apresentado na última linha -, Garcia culpa a imprensa por "interpretações" dadas ao seus gestos. Diz que sua reação, "absolutamente pessoal, não expressa "satisfação", "alívio" ou "felicidade", como pretenderam informar "setores da mídia". Ao lembrar que o momento vivido pelo País, abalado pela morte de aproximadamente 200 pessoas, é de recolhimento, luto e pesar, ele afirma que seu sentimento, ao ver a reportagem do Jornal Nacional, foi de indignação. "Sem nenhuma investigação, ou parecer técnico consistente, importantes setores dos meios de comunicação não hesitaram poucas horas depois do acidente, em lançar sobre o governo a responsabilidade da tragédia de São Paulo", escreveu Garcia, acrescentando que a imprensa deveria reconhecer que houve "precipitação" e "desinformação" da opinião pública nas reportagens sobre o acidente. O auxiliar de Lula destacou, ainda, que sua reação ocorreu "em privado" e em repúdio aos que trataram "sordidamente" de se "aproveitar da comoção que o País vive para insistir na postura partidária de oposição sistemática a um governo duas vezes eleito pela imensa maioria do povo brasileiro". No mesmo tom, o assessor de Garcia, Bruno Gaspar, também se defendeu da avalanche de críticas da oposição. "Não somos monstros", disse Gaspar, que estava ao lado de Garcia, assistindo ao Jornal Nacional, na quinta-feira, e também fez um gesto obsceno. "Eu estou muito triste", observou. "Nós estávamos num momento privado, extravasando nossa indignação com a cobertura parcial e precipitada de certos setores da imprensa, que tentaram politizar a tragédia", afirmou o assessor, numa referência às afirmações divulgadas até agora de que problemas na pista de Congonhas podem ter contribuído para o desastre com o avião da TAM. Para Garcia e Gaspar, a imprensa debitava toda a culpa pelo acidente na conta do governo federal.

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