Assessorias reúnem argumentos para negar campanha antecipada

Assessorias reúnem argumentos para negar campanha antecipada

Liberação de recursos, recebimento de verbas, convênios com Estados e visitas a cidades estão na lista de justificativas

João Domingos e Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, disse, por intermédio de sua assessoria, que sua pasta, pelas características que tem, "voltadas para a integração e o desenvolvimento", faz convênios com todos os Estados, e isso envolve a Bahia.

Embora o levantamento tenha sido feito em cima dos convênios assinados pelo ministério com prefeituras e governo - os chamados repasses voluntários -, a assessoria de Geddel disse que no meio das verbas deve ter dinheiro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de emendas parlamentares.

A assessoria negou a campanha antecipada. Geddel, segundo o ministério, é parlamentar e nunca deixou de visitar os municípios nos fins de semana.

A assessoria do Ministério da Agricultura afirmou que todos os convênios são submetidos à Casa Civil antes da assinatura e da liberação do dinheiro. De acordo com a pasta, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul são os Estados com o agronegócio mais produtivo. Por isso, recebem mais dinheiro dos convênios, informou a assessoria.

Outro motivo para a forte liberação de verbas para o Paraná seria a influência da bancada do Estado, que tomou conta da Comissão de Agricultura. De acordo com o ministério, esses parlamentares exigem que os convênios sejam cumpridos na sua integralidade, primeiro fazendo pressão em cima do Ministério da Agricultura; depois, se for necessário, sobre a Casa Civil. Portanto, a organização da bancada paranaense faz com que o Estado receba mais verbas que os outros, afirmou a assessoria do ministro Reinhold Stephanes.

Atraso. O Ministério do Desenvolvimento Social informou que o aumento da liberação dos recursos para os municípios mineiros nos últimos 13 meses se deu porque em dezembro foram assinados muitos convênios que estavam atrasados - "os prefeitos não tinham apresentado os documentos necessários". Segundo a assessoria do ministro Patrus Ananias, por ele ser de Minas é natural que visite mais o Estado. E por Minas ser a unidade da Federação com o maior número de municípios, "também é natural que as cidades mineiras assinem mais convênios com o MDS".

A assessoria de Patrus disse que Minas ficou em segundo lugar na liberação do dinheiro dos convênios. O campeão foi Pernambuco, com R$ 40,5 milhões nos últimos 13 meses. Parte do dinheiro para Minas, de acordo com o ministério, deve-se ao programa do leite, que é forte no norte e nordeste do Estado. Quanto ao Bolsa-Família (não incluído no levantamento feito pelo Estado), o ministro disse que é o terceiro, atrás de São Paulo e Bahia.

A assessoria da Previdência avaliou que o ministro José Pimentel não privilegiou o Ceará na sua agenda de compromissos no último mês. Segundo o ministério, os compromissos mantiveram o padrão habitual. A assessoria lembrou que Pimentel não inaugurou agências apenas no Ceará, mas também em Alagoas.

Carlos Minc, do Meio Ambiente, disse por intermédio de sua assessoria que nos últimos 13 meses repassou dinheiro para apenas um convênio com o Estado do Rio de Janeiro, de menos de R$ 400 mil, enquanto de 2008 a 2009 o total das liberações chegou a mais de R$ 2 milhões.

Com o ministro Hélio Costa bastante presente em Minas, a assessoria do Ministério das Comunicações lembrou que ele costuma dizer que "está ministro de Estado, mas que foi eleito senador da República por Minas". E lembrou que Costa sempre esteve em Minas nos fins de semana.

O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, não quis se manifestar.

O campeão

R$ 40,5

Milhões em recursos foram liberados por meio de convênios nos últimos 12 meses para o

Estado de Pernambuco.

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