Assinatura de Padilha começa a ser investigada

Somente nesta terça-feira o Diário Oficial da União deverá publicar a portaria de instalação da comissão de sindicância que irá investigar o uso da assinatura digital do ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Alexandre Padilha, para permitir a liberação de R$ 3,1 milhões do Ministério do Turismo a favor do Instituto Brasil de Arte, Esporte, Cultura e Lazer (Inbrasil), entidade fantasma do DF.

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2010 | 00h00

A decisão de recorrer à Polícia Federal e abrir sindicância interna foi acertada numa audiência que Padilha teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite de quinta-feira, logo após o Estado procurá-lo para pedir esclarecimentos sobre o caso.

De acordo com a secretaria, a comissão será composta por três servidores com vínculo efetivo com a administração pública. Não foi informado, no entanto, o nome dos funcionários - a alegação foi de que a portaria detalhará a composição da comissão. A sindicância terá duração de 30 dias e as investigações, de acordo com a SRI, serão sigilosas.

A secretaria evitou, no entanto, dar informações sobre o processo de emissão de documentos oficiais da SRI, alegando que só se pronunciar no final das investigações. Na sexta-feira, Padilha disse existir um núcleo na secretaria que controla a entrada e saída de documentos. Ele reconheceu ser sua a assinatura, mas disse que não assinou o papel.

Ex-assessora de Padilha, Crisley Lins, em entrevista ao Estado, contou que pediu ao ministro para assinar declaração atestando o funcionamento do Inbrasil. Esse tipo de documento, com respaldo de autoridade, é exigido pelos ministérios para a abertura do cofre. Crisley hoje trabalha para o deputado Paulo César (PR-RJ) que, embora seja do Rio, destinou R$ 300 mil de suas emendas orçamentárias para o evento do Inbrasil em Brasília.

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