Associação Comercial critica proposta para IPTU

O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, criticou as propostas da Prefeitura para a implementação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) progressivo e a revisão da Planta Genérica de Valores (PGV). "Pelo projeto atual, um terço da população vai ter que pagar pelo todo. Quando se tem um nível de pobreza como o do Brasil, isentar quem tem imóveis de R$ 65 mil significa que tem algum cálculo errado", afirmou Burti, que participa de debate sobre o assunto que reúne representantes da indústria e comércio e vereadores do PT."Se é para suprir uma emergência no caixa, sugiro que se corrija o imposto em 10%, que é mais do que a inflação (7% pelo INPC nos últimos 12 meses) e que se isente os contribuintes cujo custo de cobrança do tributo seja maior do que o próprio valor lançado", propôs Burti. Ele avaliou em 400 mil o número de contribuintes que poderiam ser isentados.O presidente da Associação Comercial alertou que o reajuste do IPTU poderá provocar demissões na Indústria e no Comércio e repasse de preço para as mercadorias. "Além disso, muita gente vai ter que mudar de casa. Os paulistanos vão pagar a conta e os prefeitos das cidades vizinhas é que vão desfrutar", disse.Também o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sayoun, atacou o projeto que pretende ser colocado em prática pela prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), no ano que vem. Ao chegar à Câmara, ele declarou que o impacto do IPTU progressivo e da revisão da PGV podem resultar em um aumento de até 150% no valor do imóvel."Hoje, os 71 shoppings de São Paulo pagam 1% de IPTU. Com a proposta, essa porcentagem sobe para 1,8%. Com isso, já são quase 100% de aumento, mas ainda temos que calcular os 39% a mais da revisão da planta", contabilizou. Segundo ele, o reajuste máximo do imposto poderia chegar a 10%. "Caso contrário, isso pode ser repassado para os preços das mercadorias, já que, infelizmente, nossa margem de lucro é muito pequena", argumentou.Sayoun também cobrou respeito da prefeitura com relação ao empresariado. "Os 530 shoppings do Brasil geram mais de 2,7 milhões de empregos diretos e indiretos. Não queremos brigar com a prefeitura, mas ela tem que nos levar em conta como geradores de emprego", destacou.Também presente na reunião, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, voltou a frisar o número estimado de demissões, calculado pela central sindical, caso o projeto saia do papel. "Essa proposta significará uma eliminação de 80 mil postos de trabalho na cidade de São Paulo", sustentou. Além da Força, da ACSP e da Alshop, participam da discussão representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Sindicato das Micro e Pequenas Empresas (Simpi), Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) e Sindicato da Habitação (Secovi).Pelo projeto do PT, que chegou há uma semana à Câmara, estão previstas alíquotas progressivas de 0,8% a 1,6% sobre o valor venal de imóveis residenciais e 1,2% a 1,8% para não-residenciais. A proposta estabelece ainda a nova planta genérica de valor, que resultará em um aumento médio de 22,6% no valor venal dos imóveis na cidade.

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