Associação critica PM por convocar todo efetivo para conter ataques no Rio

Medida representaria 'falta de planejamento' por parte da cúpula da segurança estadual, afirma entidade

Agência Brasil,

24 Novembro 2010 | 18h25

SÃO PAULO - O presidente da Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (Aspra), Vanderlei Ribeiro, criticou nesta quarta-feira, 24, a decisão da Polícia Militar do Rio de deixar em prontidão todo o efetivo da corporação, sem previsão de término do expediente. Segundo ele, a medida representa "falta de planejamento" das ações por parte da cúpula da segurança estadual.

 

"Não adianta colocar todo mundo na rua suspendendo folgas. O homem não é uma máquina e com essa atitude os PMs [policiais militares] são usados para dar uma satisfação à opinião pública, mas isso não traz resultados concretos na redução da criminalidade", afirmou em entrevista à Agência Brasil.

 

O presidente da entidade, que representa boa parte das tropas de rua da PM, defendeu mudanças profundas na estrutura da corporação, descentralizando os batalhões e reforçando a criação de unidades menores dentro das comunidades como forma de aproximar a polícia do cidadão.

 

Ele também acredita que o combate à criminalidade no Rio, em especial aos chefes do tráfico, exige a ampliação do planejamento das ações, a intensificação das investigações e do mapeamento das áreas criminosas. O presidente da entidade também criticou a qualidade dos equipamentos de proteção utilizados pelos PMs, como os coletes à prova de balas, mas disse que este não é o principal problema. "Se não houver inteligência e planejamento, o Estado pode colocar uma bomba na mão de cada policial que não vai adiantar. É preciso atuar na prevenção, e não só na reação", acrescentou.

 

Outro argumento defendido por Ribeiro é a redução da burocracia na estrutura da corporação, que deixa muitos policiais dentro dos quartéis em funções comissionadas. Ele acredita que para garantir maior eficácia às ações de cabos, soldados e sargentos, os oficiais também precisam ir às ruas com maior frequência para fiscalizar e dar suporte ao "policial da ponta".

 

Com 30 anos de trabalho na PM do Rio, Vanderlei Ribeiro destacou que os salários também precisam ser revistos. Ele comparou os rendimentos da categoria no Rio, que gira em torno de R$ 900, com os de outros estados, como o do Distrito Federal, que chega a R$ 4 mil.

 

As polícias Militar e Civil continuam realizando operações em diversas comunidades da região metropolitana. De acordo com o último balanço divulgado pela PM, até agora, sete pessoas morreram e uma foi presa. Os agentes apreenderam cinco armas, uma granada e duas bombas caseiras. Além disso, um veículo foi recuperado e uma garrafa PET contendo material inflamável foi recolhida.

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