Associações da PM saem em defesa dos policiais civis

Entidades culpam governo por conflito e dizem que militares também sofrem com política salarial ?descabida?

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

19 Outubro 2008 | 01h00

As quatro principais associações da Polícia Militar do Estado de São Paulo resolveram se solidarizar aos policiais civis em greve e afirmaram que até os PMs da Tropa de Choque, "no íntimo", concordam com os manifestantes. "Pois sofrem igualmente as conseqüências desta política descabida, mas discordando dos métodos utilizados para valer esse direito comum a ambos", diz uma nota assinada pelas associações dos Oficiais da PM, dos Oficiais da Reserva, dos Subtenentes e Sargentos e dos Cabos e Soldados. O principal alvo foi a postura do governo José Serra para lidar com o problema salarial das polícias e com a crise que levou à batalha de quinta-feira no Morumbi, na zona sul. Segundo as entidades, o conflito entre policiais civis e militares às portas do Palácio dos Bandeirantes, que deixou 32 feridos, foi resultado da "política salarial perversa adotada pelo governo do Estado endossada pela Assembléia Legislativa". Além de acusar o governo de se furtar "da responsabilidade de ter provocado esta situação vexatória", a nota diz que a gestão Serra tentou "justificar-se à população afirmando que ninguém está reivindicando salários, mas que são ?partidos de oposição? que estão se aproveitando do momento". O governo culpa CUT, Força Sindical, PT e PDT. As entidades, as mais representativas da PM, compararam a marcha dos policiais civis até o Palácio dos Bandeirantes a outra marcha, em 1961, executada pela antiga Força Pública de São Paulo - que mais tarde absorveu a Guarda Civil e se transformou na PM. O levante da Força Pública em direção ao Palácio dos Campos Elísios, então sede do governo paulista, foi reprimido pelo Exército. As quatro entidades informam que vão encaminhar com urgência à Assembléia um projeto de política salarial com "as necessidades e os méritos dos integrantes da Polícia de São Paulo, verdadeiros heróis". Por fim, afirmaram que cabe a Serra "amenizar a situação", "mesmo porque o secretário da Segurança Pública (Ronaldo Marzagão) ignorou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo (Luiz Flávio Borges D?Urso), como mediador". D?Urso havia se oferecido para mediar o conflito. Um dia antes da batalha, afirmou que havia sido ignorado pelo governo. A Secretaria de Segurança Pública informou que o governo não negociava enquanto a greve durasse. Nos bastidores, porém, o secretário da Gestão Pública, Sidney Beraldo, e deputados da base do governo na Assembléia, como Mauro Bragato (PSDB), se reuniam com representantes de associações da Polícia Civil. A estratégia não conseguiu pôr fim à greve nem impedir que as lideranças sindicais do movimento, que o governo pretendia isolar, conduzissem a marcha até o Palácio dos Bandeirantes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.