Assumir 50 crimes não dispensa apuração dos casos, diz especialista

Para a escritora Ilana Casoy, especialista em serial killers, mesmo que a afirmação de Leandro Basílio Rodrigues de ter matado 50 mulheres pareça inverossímil, é obrigatório que ela seja investigada. "Existe obrigação de checar, porque, como se sabe, o ditado ?as aparências enganam? é extremamente verdadeiro", disse. Segundo ela, a história tem inúmeros exemplos de serial killers que eram pessoas "de notório valor social" e, portanto, insuspeitas da prática de homicídios e de assassinos "que se diziam monstros terríveis e eram monstros de um crime só". O trabalho de checagem de uma afirmação como essa, diz Ilana, é longo e árduo. Do ponto de vista do cruzamento de informações, a eventual comprovação de que Rodrigues é autor de outros dois homicídios vai ajudar na investigação porque há um padrão de comportamento criminoso a ser procurado. Todo serial killer age de acordo com uma motivação, tem um perfil definido de vítima, um modus operandi e uma "assinatura" do crime. "Isso nunca se repete. É como impressão digital. Cada serial killer planeja e executa o crime de uma forma só sua e deixa nas vítimas sempre a mesma marca, diferente de todas as outras. É preciso reconhecer isso no exame das provas - e nada disso é óbvio." Os primeiros passos da investigação são montar o perfil criminal do suspeito, com todas as informações que possam ajudar a conhecer sua motivação e a forma como ele comete os crimes. O exame dos crimes comprovados ajuda a ter certeza dessas informações. E para verificar os outros alegados homicídios? "Bom, ou ele mostra o cemitério com os 50 corpos ou a polícia vai ter que separar o joio do trigo", disse a especialista. Caso ele não comprove o que declarou, a polícia terá de fazer uma triagem e cruzar as características dos homicídios não esclarecidos com o perfil criminal de Rodrigues - ou seja, tem que achar vítimas com o mesmo perfil, mortas da mesma forma e com a mesma assinatura do crime. Ilana lembrou do caso Francisco das Chagas Rodrigues de Brito, apontado por autoridades e especialistas como maior serial killer brasileiro por ter matado e cortado os órgãos genitais de 42 meninos no Pará e no Maranhão. "A polícia, no início, suspeitava que ele fosse autor de 26 crimes. Com o cruzamento das informações, descobrimos que ele não era o autor de três desses crimes", diz a especialista, que ajudou a polícia no esclarecimento do caso.

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