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Ataque a escola deixou 12 mortos há onze anos no Rio

Massacre em Realengo foi cometido por ex-aluno, que teria sofrido bullying uma década antes; assassino foi ferido pela Polícia e se matou antes de ser preso

Rayanderson Guerra, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2022 | 23h34

RIO - O ataque à faca de um estudante contra três colegas em uma escola na Ilha do Governador, na zona norte do Rio, nesta sexta-feira, 6, remete a uma tragédia, de consequências ainda mais trágicas ocorrida há onze anos: o massacre da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no subúrbio carioca. 

Às 8h30 de 7 de abril de 2011, Wellington Menezes, de 23 anos, ex-aluno da instituição entrou na unidade e disparou contra 24 adolescentes com idades entre 13 e 15 anos. Deixou doze mortos: dez meninas e dois garotos. Pelo menos outras doze vítimas ficaram feridas. Mas há divergências quanto a esse número - alguns falam em até 22 feridos.

Para entrar na escola, o assassino disse que participaria de uma palestra sobre os 40 anos da unidade. Estava, porém, armado com dois revólveres, de calibre 38 e  32. Também trazia carregadores que permitiam municiar as armas rapidamente. Menezes subiu para o primeiro andar e invadiu uma sala de aula da 8ª série. Com uma arma em cada mão, começou a atirar nos alunos.

A Polícia Militar foi acionada. Um policial conseguiu atingir o assassino. Logo em seguida, segundo a PM, Menezes se suicidou com um tiro na cabeça. De acordo com a polícia, o invasor não tinha antecedentes criminais. Parentes do atirador disseram que era um jovem reservado.  

Menezes deixou uma carta de tom religioso, na qual atribuiu o massacre a uma suposta "impureza" dos estudantes. Em um vídeo , contudo,  declarou que agiria por "vingança". Referiu-se às crianças como "covardes", porque teria sofrido bullying quando frequentou a escola – dez anos antes. Em um dos episódios do assédio violento de que foi alvo, segundo relatos, o rapaz fora obrigado à força a mergulhar a cabeça em um vaso sanitário.

Investigações da polícia descobriram que o assassino saiu para comprar a arma do crime com outros dois homens, Charleston Souza de Lucena e Izaías de Souza. Os dois admitiram ter intermediado a venda do revólver para Menezes. Foram presos.

O massacre causou comoção no País. Autoridades prometeram reforçar a segurança nas escolas. Famílias das vítimas pediram a presença de psicólogos nas escolas.

Quatro anos após a chacina, foi inaugurado em uma praça perto da Tasso da Silveira, em setembro de 2015, um memorial em homenagem aos mortos na tragédia. No Monumento às Crianças de Realengo, estátuas dos homenageados estão em pequenos pedestais acima do solo, com braços abertos e pernas em aparente movimento. Parecem voar.

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