Ataque a hotel no Rio leva o tema da segurança ao horário eleitoral

Cabral promete acabar com 'poder paralelo', enquanto Gabeira diz que UPPs não são suficientes para conter violência

Alfredo Junqueira/ RIO, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2010 | 00h00

A invasão de traficantes armados no Hotel Intercontinental, na Zona Sul do Rio, sábado de manhã, fez com que os candidatos ao governo do Estado focassem seus programas de rádio e TV no tema segurança pública. O governador Sérgio Cabral (PMDB), que tenta a reeleição, e seu principal opositor, Fernando Gabeira (PV), apresentaram visões divergentes sobre o tema.

Gabeira criticou a propaganda eleitoral do adversário, que, segundo ele, apresenta o Rio como um Estado pacificado. Apesar de já ter elogiado o projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), principal bandeira de Cabral na segurança pública, o candidato opositor voltou a dizer que a iniciativa não é suficiente para resolver os problemas de violência no Rio.

O verde destacou que as UPPs estão em apenas 1% das comunidades e lembrou que durante a campanha já passou por locais com homens armados de fuzil, "em uma atitude hostil". "Isso mostra que o Estado não está pacificado", afirmou Gabeira. Imagens do episódio não foram veiculadas no programa de ontem, mas o PV informou que vai utilizá-las ao longo da campanha.

Cabral dedicou todo seu tempo de TV à segurança pública. Pela primeira vez, não foram apresentados outros temas. Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujos depoimentos são sempre mostrados nos programas do peemedebista, ficou de fora. No entanto, não houve menção ao episódio em São Conrado.

Com pouco mais de oito minutos de duração, o vídeo mostrou depoimentos de moradores de comunidades com UPPs, funcionários públicos que trabalham nessas regiões e promessas de instalação de novas unidades em comunidades, como Rocinha e Vidigal - favelas de onde saíram os traficantes que invadiram o Hotel Intercontinental.

"Vamos avançar e vamos terminar o segundo mandato, se eu for reeleito, sem nenhuma comunidade com poder paralelo no Rio. Isso é um compromisso meu, com meu filhos, com a minha família, com os moradores do Rio. Nada é mais importante", prometeu Cabral.

O programa termina com uma imagem de helicóptero, pegando o Cristo Redentor e a zona sul da cidade, com a narração de Cabral: "As UPPs vão até a paz. Paz. Tudo o que o povo quer é paz".

Principal tema de todas as disputas eleitorais no Rio desde a redemocratização, a segurança pública estava praticamente fora do debate. A boa impressão das UPPs junto ao eleitorado fez com que os opositores de Cabral concentrassem seus ataques em outros setores problemáticos da administração estadual, como saúde e transporte.

Já o peemedebista limitou-se a apresentar as UPPs como uma de suas principais bandeiras de campanha. Seus programas garantiam ampliação do número de unidades - atualmente são 12 - e candidatos aliados prometiam levar unidades para suas áreas de influência. Até a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, encampou o projeto em seu programa de governo.

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