Ataque de Lula ao DEM acirrou o debate eleitoral

Após o presidente dizer em comício que o DEM deveria ser 'extirpado',[br]a oposição subiu o tom das reações

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

A pouco mais de duas semanas das eleições, a temperatura do debate político teve uma brusca alteração. Aparentemente foi causada pela afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que desejaria ver o DEM extirpado da política brasileira.

Feita no calor de um comício, na segunda-feira, em Santa Catarina, a declaração provocou reações da oposição, que viu nela sombras autoritárias. Para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, Lula teria abdicado do papel de presidente de todos os brasileiros para virar "chefe de uma facção". O tucano até estabeleceu um paralelo com o ditador Benito Mussolini, que teria cometido barbaridades por não ter quem o freasse.

César Maia, ex-prefeito do Rio e líder do DEM, afirmou que o ex-ditador alemão Adolf Hitler também usava o termo "extirpar" em relação aos judeus. Em Santa Catarina, Jorge Bornhausen, presidente emérito do DEM, insinuou que Lula estava alcoolizado na hora do comício.

Analistas políticos e petistas lembraram logo que Bornhausen foi o autor da polêmica afirmação, feita em 2005, de que o escândalo do mensalão o deixava "encantado", porque permitiria "a gente se ver livre dessa raça, por, pelo menos, 30 anos".

Em defesa de Lula, a candidata Dilma Rousseff (PT) afirmou que ele fez a declaração num contexto eleitoral de disputa por votos, o que seria diferente da fala de Bornhausen. "Sou uma sobrevivente de um processo de extermínio", disse ela.

Também contribuíram para alimentar o debate as declarações feitas por José Dirceu, colega de partido do presidente e ex-ministro da Casa Civil. Durante palestra na mesma segunda-feira, na Bahia, disse que o PT terá mais condições de executar o seu projeto político num eventual governo de Dilma do que teve com Lula. A explicação, segundo Dirceu, é que Lula é "duas vezes maior que o PT".

A oposição também se irritou com declarações da atual ministra da Casa Civil, Erenice Guerra. Para se defender de acusações de tráfico de influência contra seu filho Israel Guerra, ela atirou contra o candidato José Serra, do PSDB. Sem citar nomes, disse que o objetivo das denúncias é favorecer "um candidato aético e já derrotado".

No pano de fundo do debate estão resultados de pesquisas segundo as quais a coligação encabeçada pelo PT pode, além de eleger Dilma, obter maioria folgada no Senado.

Guerra verbal

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

PRESIDENTE

"São pessoas que alimentam o ódio. Nós precisamos extirpar o DEM da política brasileira"

FERNANDO HENRIQUE

EX-PRESIDENTE

"Eu vejo um presidente que virou militante, chefe de uma facção política"

JOSÉ DIRCEU

EX-MINISTRO DA CASA CIVIL

"A eleição de Dilma é mais importante do que a do Lula"

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