Ataques colocam São Paulo em estado de alerta

Apesar do clima de tensão criado pelos ataques a dois ônibus, uma van e um carro da polícia na terça-feira, em São Paulo, nesta manhã, o transporte coletivo funcionava normalmente. De acordo com informações da SPTrans, nenhuma empresa de ônibus que opera na cidade retirou seus veículos de circulação, nem mesmo a Via Sul, proprietária dos ônibus incendiados. Os ataques registrados na noite de terça-feira em São Paulo podem ter ligação com os problemas ocorridos durante o dia na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no oeste do Estado. Antes dos atentados, policiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) interceptaram uma ligação de um preso, dizendo que a onda de violência na capital poderia recomeçar a qualquer momento. Os veículos foram queimados no Parque Bristol e um carro da Polícia Militar foi metralhado, na frente da Estação Ipiranga da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na Avenida Presidente Wilson, na zona sul de São Paulo. As informações iniciais eram de que ninguém ficou ferido. Na terça-feira, em Presidente Venceslau, os presos tentaram resistir à mudança para outros presídios e entraram em confronto com a polícia. Fontes do sistema prisional teriam sido avisadas de que se os PMs entrassem no local para conter a ação dos detentos haveria outra onda de ataques contra o Estado. À noite, oito delegados do Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil (GOE) estavam reunidos para discutir ações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), quando souberam dos veículos incendiados. Embora a polícia ainda esteja "em nível de alerta acima do normal", a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) agiu rápido para diminuir o impacto dos ataques. Na madrugada desta quarta-feira, o secretário Ronaldo Marzagão convocou uma entrevista coletiva na sede do Comando da Polícia Militar. Motivos Marzagão não confirmou a informação de que os atentados estariam ligados aos problemas registrados em Presidente Venceslau. "Todas as hipóteses estão sendo examinadas", disse o secretário. "Por enquanto, não há uma definição". Ele disse ainda que "é preciso que se coloquem as coisas nos seus devidos lugares" e desvinculou os ataques de uma possível ação do PCC. Prisão: As investigações não descartam ainda a hipótese de que os ataques poderiam estar relacionados à prisão de Fábio Aparecido de Almeida, de 26 anos. "Magrão", como é conhecido, foi preso na terça-feira e confessou participação no assassinato do diretor do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Mauá, Wellington Rodrigo Segura, no dia 26 de janeiro. Transferência: A transferência do chileno Maurício Hernandez Norambuena, seqüestrador do empresário Washington Olivetto, para o presídio federal de Catanduvas, também pode estar relacionada aos ataques. Desde 2002 no sistema prisional paulista, Norambuena foi transferido no sábado, dia 3. Ele teria ligações com o PCC, fornecendo ajuda logística para o grupo. Vingança: A hipótese dos ataques serem uma vingança à empresa Via Sul, dona dos ônibus incendiados, não é descartada. Esta matéria foi alterada às 11h para acréscimo de informações.

Agencia Estado,

07 Fevereiro 2007 | 09h13

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