Ataques continuam na madrugada, mas ônibus circulam

A onda de ataques continuou na noite de quinta-feira e madrugada desta sexta na capital, Grande São Paulo, litoral e interior do Estado. Até às 6h30 desta manhã, havia o registro de 15 ataques a alvos civis, como ônibus, agências bancárias, terminais rodoviários, lojas de veículos, e militares, como bases da PM e delegacias de polícia. Duas pessoas - um policial militar e um motorista de ônibus - tinham sido feridos e três pessoas foram presas. Apesar da continuidade da violência, o paulistano não deve enfrentar problemas com o transporte coletivo como ontem. Os ônibus das 18 empresas e 8 consórcios que operam na capital circulam normalmente, como havia garantido a São Paulo Transportes (SPTrans).Os terminais de ônibus abriram normalmente na manhã de hoje e todas as linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) seguem com a circulação de trens dentro da normalidade; o mesmo ocorre com o Metrô.Empresas seriam punidasO prefeito Gilberto Kassab disse na manhã desta sexta que a situação dos ônibus em São Paulo foi normalizada graças a uma ação conjunta entre o governo do Estado, através da Secretaria de Segurança Pública, e a prefeitura, por intermédio da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e disse ainda que se as empresas se negassem a colocar os ônibus nas ruas, seriam punidas. Sobre os donos das empresas de ônibus, que disseram acumular prejuízos de cerca de R$ 5 milhões por causa dos atentados, Kassab argumentou que agora não é hora de se falar nesse assunto. "As empresas de ônibus atenderam à determinação de colocarem os carros nas ruas e a expectativa é de a situação seja definitivamente normalizada. Nós fomos muito claros ontem com os proprietários das viações de que agora não é hora de discutir prejuízos. Nós determinamos que eles colocassem imediatamente os ônibus nas ruas e isso aconteceu. Caso contrário, as empresas sofreriam sanções previstas em contrato", disse o prefeito em entrevista ao Bom Dia São Paulo, da TV Globo. Segundo Kassab, ontem foi adotada uma estratégia que consistiu numa ação ostensiva por parte da Polícia Militar nos principais corredores viários da cidade. Já os guardas civis metropolitanos reforçaram o patrulhamento nos terminais de ônibus. "Concentramos as ações da Prefeitura de São Paulo através da presença GCM nos terminais de ônibus. Ela (GCM) tem o poder de tomar conta dos prédios públicos municipais. Já a Polícia Militar fez o mesmo nos corredores e no interior dos ônibus. A partir de hoje, por tempo indeterminado, 50% da frota já contará com policiais à paisana no seu interior". Caminhões de lixoA coleta de lixo nas regiões sul e leste de São Paulo já voltou ao normal na manhã desta sexta-feira, após ataques contra dois veículos usados no serviço de limpeza urbana na zona Leste da capital, na noite de ontem.O primeiro ataque aconteceu por volta das 21h30, na altura do nº 163 da Rua Cristóvão de Salamanca, no Conjunto José Bonifácio, região de Itaquera. O segundo foi realizado no mesmo horário, na Rua Cuiatê, no Jardim São Paulo, na mesma região.Todos os caminhões da empresa Eco Urbis, num total de 178, foram recolhidos após os ataques. O trabalho voltou ao normal apenas às 6 horas de hoje. Ninguém ficou ferido após os ataques. A coleta de lixo da Eco Urbis é feita das 19h às 2h da madrugada e atende a cerca de seis milhões de habitantes. Ataque frustrado a delegaciaUm grupo de criminosos, por volta das 2h desta madrugada, tentou atear fogo contra o prédio do 24º Distrito Policial, localizado na altura na Avenida São Miguel, 3.551, em Ermelino Matarazzo, na zona leste da capital. Segundo testemunhas, os bandidos ocupavam um veículo Fiat e, antes de fugirem, abandonaram um coquetel molotov em frente à delegacia. Alguns policiais testemunharam os criminosos preparando o coquetel e saíram da delegacia. Dois dos suspeitos foram detidos. Um dos três incendiários que destruíram, no final da noite de quarta-feira, em Vila Madalena, zona oeste da capital, um coletivo da Viação Urubupungá, foi detido, na tarde de ontem, na Rua Padre João Gonçalves, em Pinheiros, bairro vizinho.Escrivão baleadoO policial civil João Correia Neves, de 56 anos, foi baleado, por volta das 19h de ontem, no interior da Panificadora Nakamura, localizada na Avenida Agamenon Pereira da Silva, no Jardim Nakamura, na zona sul da capital paulista. Segundo testemunhas, dois homens, ocupando um Voyage prata, pararam em frente ao estabelecimento comercial e atiraram contra Neves, que trabalha como escrivão de polícia do 100º Distrito Policial do Jardim Herculano. O escrivão foi internado no Hospital do Campo Limpo. Os atiradores ainda não foram localizados.LitoralSegundo a Central de Operações da Polícia Militar de Santos, litoral sul, por volta de 2h desta madrugada, duas agências bancárias, uma do Bradesco e outra do Itaú, e uma loja da rede de supermercados Compre Bem foram alvo de disparos. Ninguém foi preso.Em Ubatuba, litoral norte, uma base da Polícia Militar foi atacada por coquetel molotov por volta das 21h de ontem. A base estava fechada. Parte das vidraças ficou estilhaçada com o impacto. Não há pistas dos autores do crime.Grande São PauloEntre o final da noite de ontem e início desta madrugada, houve um ataque a um ônibus na Avenida Açucaral, no Jardim Açucaral, próximo a um aterro sanitário, em Osasco, na Grande São Paulo. Em Diadema, na Grande São Paulo, uma concessionária de carros foi alvo de incendiários. Dentro do estabelecimento comercial, localizado na Rua Frei Ambrósio de Oliveira, 127, no Jardim Eldorado, quatro carros foram destruídos. Cinco equipes dos Bombeiros tiveram de ser acionadas para combater as chamas. Ninguém foi preso. Suspeito mortoTrês ocupantes de um veículo Chevrolet Meriva foram abordados, por volta da 1h15 desta madrugada, por policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) na Rua Oscar Ferreira dos Santos, na região central de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, quando, segundo os PMs, se preparavam para atacar ou a base da PM ou a delegacia da cidade. Armado com um revólver calibre 38, Gérson Barbosa Rafael teria atirado quatro vezes contra os policiais antes de ser atingido no revide. Os detalhes da perseguição e do tiroteio não foram fornecidos pela polícia, que não teria conseguido deter os outros dois cúmplices de Gérson. A dupla fugiu no Meriva. O caso foi registrado na delegacia daquele município. Gérson morreu no hospital.InteriorUma granada de efeito moral explodiu em frente ao 3º DP de São José dos Campos, no interior de São Paulo. A granada, usada por policiais, foi atirada por volta das 4 horas desta sexta-feira, 14. Ninguém ficou ferido e também não houve danos materiais. A polícia não tem pistas dos criminosos.Outro ônibus foi atacado por incendiários na altura da Avenida Paraguai, 806, no Jardim Barcelona, em Sorocaba, interior do Estado. Segundo a polícia, motorista, passageiros e cobrador foram obrigados a sair do coletivo, que foi incendiado. O motorista de ônibus Manoel Francisco da Silva, de 44 anos, funcionário da Viação Ouro Verde, teve queimaduras em quase 90% do corpo, durante um ataque ao coletivo por ele dirigido, por volta das 20h30 de ontem, no bairro de Santa Luiza, em Nova Odessa, cidade localizada na Região Metropolitana de Campinas . Segundo os passageiros que levaram Manoel para o pronto-socorro municipal, o motorista não conseguiu sair a tempo de escapar das chamas após criminosos entrarem no coletivo e atearem fogo. O estado de saúde do motorista é grave. Uma hora depois, em Americana, cidade também situada na região de Campinas, criminosos incendiaram um ônibus da empresa VCA. O ataque ocorreu em Vila Bertini, mas, desta vez não houve presos nem feridos.Outros quatro ataques ocorreram na noite de ontem na cidade de Piracicaba, localizada a 162 quilômetros da capital paulista. Um ônibus foi incendiado por volta das 21h40 no bairro Novo Horizonte, mas não houve feridos. O terminal de ônibus do bairro Santa Terezinha, foi alvo de incendiários que jogaram um coquetel molotov contra as catracas. Outro grupo jogou mais um coquetel por volta das 23h30 contra o pátio do 5º Distrito Policial, em Santa Terezinha. Outros dois coquetéis foram jogados por volta da 0h desta sexta-feira contra a casa de um policial militar no Jardim Sônia. Os criminosos também dispararam cinco tiros para o alto, mas em todos os casos não houve feridos.Em Araraquara, um ônibus foi incendiado e duas lojas, apedrejadas na noite desta quinta-feira. A casa de um agente penitenciário foi pichada.PresídiosO pelotão de choque da Polícia Militar entrou às 8 horas desta sexta-feira na Penitenciária de Araraquara, para apoiar a remoção dos últimos presos, que ainda se encontravam no pátio, para um novo pavilhão da unidade. Os cerca de 1.400 detentos, passam a ocupar agora, três dos quatro raios do anexo de detenção provisória.De acordo com informações veiculadas pela imprensa nesta sexta, 26 detentos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) teriam sido transferidos na quinta-feira da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau para uma das três penitenciárias de Lavínia, no interior paulista. A Secretaria de Adinistração Penitenciária (SAP), porém, não confirma essa informação. Por Ricardo Valota, Carlos Mercuri, José Maria Tomazela, Paulo R. Zulino e Solange SpigliattiMatéria alterada às 11h00 para atualização das informações

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