Ataques do PCC deixam pelo menos três policiais mortos em SP

Dois policiais civis e um militar foram mortos nesta noite na capital paulista em uma série de ataques atribuídos à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Os atentados foram uma resposta à transferência de líderes da facção para São Paulo e de 765 criminosos perigosos de várias prisões do Estado para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau.Até as 23h, foram registrados 12 atentados contra alvos da polícia, com três mortos e cinco feridos na capital e Grande São Paulo.Entre os feridos está o delegado plantonista do 49.º Distrito Policial, em São Mateus, na Zona Leste. Ninguém responsável pelos atentados foi preso.Os ataques começaram no início da noite nos extremos da região Zona Leste e Oeste da Capital. Os alvos foram delegacias, bases e viaturas das Policiais Civis e Militares.Os alvos das Polícia Civil foram a seguintes delegacias: 55.º DP (Parque São Rafael); 58.º DP (Vila Formosa ); 74.º (Parque Taipas) e Delegacia Central de Barueri.Um agente policial do Departamento de Administração Policial (DAP) foi assassinado em frente ao Hospital de São Mateus, na Zona Leste, quando voltava para casa. Um que saiu do 15.º Distrito Policial, no Itaim Bibi, saiu com uma viatura. Na Avenida Clodomiro Amazonas, o veículo foi cercado e policial morto.Um policial militar foi atacado por criminosos próximo da ponte dos Remédios, na cidade de Osasco. Ele foi baleado e morreu.Na região do 19.º Batalhão, na região de Sapopemba um PM e uma mulher foram baleados por criminosos que estavam a mando do PCC.Em Carapicuíba, uma base da PM também foi atacada. O atentando resultou em um homem - que procurava ajuda da polícia - baleado na perna. Ele foi socorrido ao Hospital Sanatorinhos. Um policial foi baleado no fim da noite em frente ao Teatro Sérgio Cardoso, na Rua Rui Barbosa, no Bexiga. Ele seria aluno de Escola de Oficiais do Barro Branco e estava fardado.Por causa da onda de atentados o helicóptero Águia da Polícia Militar levantou vôo e foi para a Zona Leste - centro dos atentados. Policiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) foram para dois pontos da Zona Leste e Norte. Eles conseguiram por meio de grampos telefônicos a informação de que grupos do PCC estariam reunidos nesses lugares para traçar a estratégia dos ataques.No fim da noite, entre a cúpula da PM havia rumores sobre cinco pessoas mortas em razão da onda de atentados.TransferênciaSete líderes da facção criminosa foram levados à sede do Departamento Estadual de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), em São Paulo. A facção reagiu e seus homens se amotinaram em dois dos principais presídios do Estado: a Penitenciária 1 de Avaré e a de Iaras. Eles fizeram 24 reféns.Entre os chefes da facção transferidos para o Deic estão o líder máximo do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Rogério Jeremias, o Gegê do Mangue, acusado de participar do assassinato do juiz José Machado Dias, em 2003. Todos foram trazidos em um avião da PM. O trânsito foi interrompido pelos policiais em frente ao departamento, na Avenida Zaki Narchi, uma das principais da zona norte.Ali, seis dos presos foram interrogados pela delegacia de Roubo a Bancos. Marcola acabou sendo ouvido pelo diretor do departamento, Godofredo Bittencourt Filho.CercoA sede do Deic, Zona Norte da Capital, ficou cercada, desde o início da noite, por dezenas de policiais civis. Para evitar possíveis ataques, homens do Grupo Armado de Repressão a Roubos de Assaltos (Garra), da Delegacia Anti-Seqüestro e até do Grupo Especial de Resgate (GER) montaram um bloqueio na Avenida Zaki Narchi. Apenas policiais e a imprensa tinham acesso à porta de entrada do Deic. O trânsito teve de ser desviado.Pelo menos 20 viaturas estavam estacionadas em frente ao prédio onde prestavam depoimento os principais líderes do PCC. Segundo o comandante da Tropa de Choque da Polícia Militar, coronel Joviano Conceição Lima, todo o efetivo foi remanejado para os locais onde houve os atentados.Por volta das 22h, o coronel retornou para o QG da Tropa para participar de uma reunião extraordinária. O objetivo do encontro era traçar ações de combate aos responsáveis pela série de ataque deflagrados no início da noite de ontem. Enquanto a cúpula policial se reunia, o líder máximo do PCC, Marcola, era removido da carceragem do Deic à Delegacia de Roubo a Bancos para ser interrogado. Os policiais queriam saber quem ordenou os ataques e quais seriam os executores. ?Pelo que senti lá dentro (da delegacia), isso vai virar uma guerra?, disse um investigador do Deic.

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