Ataques no Rio diminuem, mas polícia continua em alerta

A onda de ataques contra alvos policiais e ônibus ocorrida na quinta-feira no Rio de Janeiro gerou um pânico generalizado refletido nesta madrugada em ruas vazias e vigiadas por um reforço de 20.734 policiais. Apesar de terem diminuído desde a noite de quinta, novos ataques foram registrados na capital fluminense, nos subúrbios da cidade e em Niterói. Por volta das 2 horas desta sexta-feira, dois motociclistas dispararam contra um posto policial na Avenida Kennedy, em Duque de Caxias e, em seguida, atiraram também contra o Centro Cultural Oscar Niemeyer, no centro. Houve perseguição e uma motocicleta foi abandonada com a chave no contato, na entrada da favela Mangueirinha. Posteriormente, o proprietário, um motorista de ônibus, de 23 anos, compareceu à delegacia da cidade, afirmando que havia emprestado a moto a um rapaz conhecido como Michelzinho, que seria traficante. A polícia não descarta a hipótese de que o próprio dono da moto possa estar envolvido nos ataques. No entanto, ele não foi indiciado.Linha VermelhaAntes, um grupo de cerca de 20 marginais, da Favela Furquim Mendes, em Duque de Caxias, na região central do Rio, invadiu a Linha Vermelha com a intenção de roubar veículos. O Agrupamento Tático Móvel da Polícia Militar foi acionado e durante 20 minutos houve tiroteio entre bandidos e a PM. Ninguém ficou ferido.Na noite desta quinta-feira, criminosos também incendiaram um ônibus da Viação Pendotiba, em Niterói. Com esse ataque, subiu para 13 o número de coletivos incendiados. Além disso, duas cabines - uma do Batalhão de Vias Especiais (BPVE) e uma do Batalhão de Policiamento Rodoviário (BPRv) - foram alvos de criminosos que passaram atirando de dentro de um carro roubado. Até as 23h30, não havia registros de feridos.Além do reforço policial, as autoridades mantêm a ocupação em dez favelas, em cujas proximidades aconteceram os ataques que fizeram lembrar as madrugadas de susto e morte registradas durante o mês de maio em São Paulo.Balanço dos ataquesA série de mais de 35 ataques, que começou na madrugada desta quinta-feira, já deixou 18 mortos no Rio. Entre eles, estão nove civis, dois policiais e sete bandidos, segundo balanço da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Outras 25 pessoas ficaram feridas. À noite, por medo de novos ataques, a maioria das 48 empresas de ônibus que operam no Rio recolheu os coletivos mais cedo.O caso mais chocante foi a morte de sete passageiros de um ônibus da Viação Itapemirim, que levava passageiros do Espírito Santo para São Paulo. De acordo com testemunhas, dois criminosos entraram no coletivo quando o veículo passava pela Avenida Brasil, despejaram combustível, impediram os passageiros de sair e atearam fogo. Além dos sete mortos carbonizados, outros 12 ocupantes ficaram feridos.Motivos dos ataquesA Polícia Civil abriu inquérito para investigar o motivo dos ataques no Rio, embora ainda não haja consenso entre as principais autoridades. Para o secretário de Segurança Pública, Roberto Precioso, os ataques foram motivados pela insatisfação dos presidiários com a troca de governo, com a saída de Rosinha Garotinho (PMDB) e a posse de Cabral, no dia 1º de janeiro.Já o secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, afirmou que os atentados são resultado da união das facções criminosas contra o avanço das milícias - organizações formadas por ex-agentes da lei, acusadas de expulsar traficantes de favelas. Este motivo estaria explícito em panfletos distribuídos pelos bandidos.Suspeitos detidosDurante a tarde a polícia prendeu três suspeitos de incendiar o ônibus da Viação Itapemirim. Graciel Mauricio do Nascimento Campos, de 18 anos; Cleber de Carvalho Fonseca, de 23 anos, que tem passagem na polícia por tráfico de drogas; e Elzio Guilherme de Oliveira, de 23 anos - que estava sem documentos e não teve a identidade confirmada. Todos são do bairro Nova Campina, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.De acordo com o delegado Eduardo Freitas, da 22ª Delegacia de Polícia, sua equipe já sabe, inclusive, quem comprou o combustível utilizado no crime e quem foi responsável por atear fogo ao ônibus. As informações, no entanto, ainda não foram divulgadas.Aviso prévioAs autoridades de segurança do Rio sabiam que uma onda de ataques estava sendo articulada pelos bandidos. A inteligência da Polícia Federal havia alertado, dois dias antes, que facções criminosas preparavam atentados, previstos para começar na quarta-feira e destinados a promover um banho de sangue às vésperas do Ano Novo, no momento em que a cidade recebe milhares de turistas do mundo inteiro.Graças ao alerta, a Secretaria de Segurança do Rio mobilizou forte aparato policial e guarneceu os pontos sensíveis da cidade. "Era para ter sido muito pior", disse o diretor-geral da PF, delegado Paulo Lacerda, que se encontra no Rio para passar o réveillon.Com informações da agência EFE

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