Até 15 de novembro, a ''França inteira no Brasil inteiro''

300 eventos de Norte a Sul vão celebrar o ano do país europeu, aberto oficialmente ontem

Roberta Pennafort, RIO, O Estadao de S.Paulo

22 de abril de 2009 | 00h00

Apesar da chuva, o Ano da França no Brasil foi aberto ontem com um show pirotécnico na Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul. O espetáculo teve início pouco depois das 20 horas. Mais de sete toneladas de fogos, colocadas em sete barcos, explodiram durante meia hora, num espetáculo que começou a ser preparado há dois anos. O tempo ruim que marcou o feriado e piorou no início da noite prejudicou a festa, promovida pelo Groupe F, o mesmo responsável pelo espetáculo visto pelos parisienses na Torre Eiffel na virada do milênio. O público esperado, inicialmente de 1 milhão de pessoas, não passou de 100 mil, segundo os organizadores.O Ano da França no Brasil vai até o dia 15 de novembro, com a realização de cerca de 300 eventos do Amapá ao Rio Grande do Sul. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, e a ministra da Cultura e Comunicação da França, Christine Albanel, disseram ontem que a programação tem como objetivo "o aprofundamento do diálogo entre os dois países". "Esperamos a reaproximação da França com o Brasil. Nas últimas décadas, houve um certo esmaecimento da presença francesa. Quando eu era menino, nos anos 50, Edith Piaf e Charles Aznavour tocavam no rádio", disse Ferreira. A comemoração ocorre como retribuição ao Ano do Brasil na França, em 2005. Na ocasião, mais de 15 milhões compareceram à mostra. Inicialmente estavam planejados 600 eventos para este ano, mas o número foi reduzido por causa da crise mundial. A ideia é mostrar "a França inteira no Brasil inteiro". Os europeus investiram 15 milhões, entre recursos públicos e privados. Grandes empresas como a Renault, a Air France e a PSA Peugeot Citröen participam. O Brasil entra com R$ 8 milhões. Entre os patrocinadores locais estão Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Petrobrás e Correios.VIAJANTES BARRADOSA ministra francesa lembrou os valores comuns entre os dois países, como "o apreço aos direitos humanos e uma visão multipolar das relações internacionais". Ela ressaltou que seu país está "aberto", ao comentar o aumento no número de brasileiros repatriados - entre janeiro e março, a quantidade de viajantes barrados no setor de imigração triplicou, chegando, no último mês, a 206. "Ouvi falar, mas não li nada específico. Isso é estritamente uma aplicação das regras do tratado de Schengen (convenção entre países europeus sobre uma política de livre circulação na Europa). Temos mais de 4 mil estudantes brasileiros e gostaríamos de ter muito mais."Pela manhã, a pré-abertura do Ano da França ocorreu na cidade histórica de Ouro Preto, a 95 km de Belo Horizonte, num evento marcado por uma grande produção artística, mas ao mesmo tempo por críticas de moradores e turistas que reclamaram das dificuldades de acesso à Praça Tiradentes. A tradicional celebração de 21 de Abril deste ano teve como o lema "Liberdade, ainda que tardia", em referência aos 220 anos da Revolução Francesa e da Inconfidência Mineira. A data especial fez as autoridades francesas serem contempladas com as principais honrarias da solenidade, criada em 1952 pelo governador Juscelino Kubitschek. Antoine Pouillieute, embaixador da França no Brasil, foi o orador oficial. Mas os dois principais homenageados franceses, o ex-presidente Valéry Giscard d?Estaing e a ministra Christine Albanel, não compareceram. Ao todo, foram agraciadas 236 pessoas, entre representantes da diplomacia francesa, ministros brasileiros, juristas, empresários, intelectuais, artistas e esportistas. "Essa relação França-Brasil não é uma relação nova, é uma relação de sempre", disse o chef francês Olivier Anquier, um dos agraciados. "Isso consolida mais esse laço."COLABOROU EDUARDO KATTAH

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