Até 2010, favelas vão ter mais 2 milhões de habitantes

Atualmente, entre 40% e 70% da população das principais cidades do País já vive em moradias irregulares

Jamil Chade, do Estadão,

01 Outubro 2007 | 00h59

Entre 2001 e 2010, o Brasil produzirá 2 milhões de novos favelados. A estimativa é da ONU que, em seu relatório sobre a situação das cidades no mundo, alerta para o crescente número de ameaças vividas pelos cidadãos de zonas urbanas. No total, o mundo já conta com 1 bilhão de pessoas vivendo em cerca de 200 mil favelas espalhadas pelos países mais pobres. Em 1990, o número de favelados no mundo era de 715 milhões.   No caso do Brasil, o País deve atingir a marca de 53 milhões de favelados em 2010, quando a população nacional será de quase 200 milhões. Em 2001, esse número era de 51 milhões. Até 2020, o número de pessoas vivendo em favelas nas cidades brasileiras chegará a 55 milhões. Nesse ano, o Brasil somará 219 milhões de pessoas. Em 2030, serão 235,5 milhões, dos quais apenas 20,9 milhões na zona rural. No início da década, 32 milhões de brasileiros viviam no campo.   Apesar do incremento de favelados até 2020, o Brasil cairá no ranking. Em 2001, o País ocupava a 3ª posição e era superado apenas por Índia e China em número de favelados. Em 2020, Nigéria, Bangladesh e Paquistão vão superar o País. Na China, serão 277 milhões de favelados em 2020.   Atualmente, entre 40% e 70% da população das principais cidades do País já vive em moradias irregulares. No Rio de Janeiro, um terço da população vive em favelas e o relatório da ONU aponta para a ausência da presença do Estado, salvo em ações da polícia. Em muitos casos, a ONU classifica as favelas como locais "indesejados para morar" e aponta como muitos tentam juntar dinheiro para deixar seus barracos, sem sucesso.   A preocupação da ONU é que, hoje, 40% dos moradores desses locais tem menos de 19 anos e 35 milhões de novos favelados são gerados por ano no mundo. Se o ritmo não for freado, as favelas vão contar com uma população de 1,4 bilhão de pessoas até 2020.   Clima   Outro temor da ONU é a vulnerabilidade dessas pessoas em relação aos desastres naturais. Segundo o estudo, 2 milhões de pessoas morreram desde 1974 por causa de desastres e 5,1 bilhões foram afetadas nos últimos 30 anos. 182 milhões de pessoas perderam suas casas e os danos chegaram a US$ 1,38 trilhão nesse período.   De acordo com o levantamento, porém, o investimento de US$ 1,00 em construção economizaria US$ 40,00 em caso de desastre natural. Se US$ 40 milhões fossem gastos na preparação das cidades, portanto, prejuízos de US$ 20 bilhões poderiam ter sido evitados nos últimos 30 anos.   Para complicar a situação, 40% da população mundial vive a menos de 100 quilômetros das costas. 100 milhões vivem a menos de 1 metro acima do nível do mar e cidades como o Rio, Nova Iorque, Tóquio, Lagos ou Cairo poderiam estar ameaçada se o mar subisse um metro diante do aquecimento global.   Se não bastasse a ameaça climática e de falta de moradia, a ONU ainda alerta para o crescente número de acidentes de carro, que já fazem 1,2 milhão de mortos por ano nas grandes cidades.   Anexo   O relatório de quase 500 páginas foi produzido pela UN-Habitat, organização da ONU responsável por moradia e pela situação das cidades. O levantamento compila e avalia pela primeira vez cerca de 200 estudos já produzidos nos últimos anos sobre violência tanto na ONU, como em universidades e outras organizações internacionais.   No caso dos dados sobre o impacto econômico, o relatório usa três fontes diferentes para chegar à sua conclusão, inclusive informações do Banco Mundial. Quanto aos homicídios, os dados são de anos distintos e baseados também em informações da imprensa.

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