Até julho, polícia do Rio matou 5,7% a mais do que em 2007

Em sete meses, 819 pessoas morreram em confronto com policiais; média é de 3,8 pessoas mortas por dia

Felipe Werneck, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2008 | 19h48

As polícias Civil e Militar do Rio mataram 819 pessoas em supostos confrontos de janeiro a julho deste ano, segundo a estatística oficial divulgada nesta segunda-feira, 13, pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do Estado. A média para os sete meses foi de 3,8 vítimas por dia. O número representa aumento de 5,7% (44 registros a mais) em relação ao mesmo período do ano passado. A comparação de julho deste ano (62 casos) com o mesmo mês de 2007 mostra uma redução de 23,5%, com 19 vítimas a menos.   Veja também: Legalizar drogas não acaba com violência no Rio Falta de segurança no Rio atrapalha serviços do PAC Para Beltrame, polícia de SP é mais 'preparada' que a do Rio Cai número de vítimas de bala perdida no 1.º semestre no Rio Rio fabricou queda de homicídios, diz ex-diretora do ISP    Em números absolutos, é o segundo mês consecutivo de queda dos chamados autos de resistência (nome oficial para homicídios cometidos por policiais em alegados confrontos com criminosos), após aumento progressivo de casos na gestão de Sérgio Cabral Filho (PMDB). Houve 147 registros em maio deste ano, recorde no Estado, depois 105 em junho e os 62 de julho. Para a pesquisadora Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes, o número pode indicar uma tendência de inflexão na política de segurança do Estado, até o momento marcada pela defesa do confronto.   "Está parecendo, sim, que houve uma mudança de padrão. Vamos ver se ela se sustenta nos próximos meses", declarou. "Tomara que seja resultado do reconhecimento de que a política que defendiam fracassou." Silva ressalva, porém, que o número de mortos pela polícia no Rio permanece "brutal". "O que vale é a série histórica. Julho parece uma boa notícia, mas nos sete meses do ano ainda aumentou em relação a 2007."   Após a mudança na direção do ISP, no fim de fevereiro - quando a antropóloga Ana Paula Miranda foi exonerada e o coronel Mário Sérgio Duarte, ex-comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM, assumiu o cargo -, a forma de divulgação dos dados foi alterada. Não há mais entrevista com representantes do governo. Em e-mail encaminhado aos jornais, a assessoria de imprensa do ISP destacou a queda dos homicídios. "O período de janeiro a julho de 2008 totalizou o menor número de vítimas de homicídios dolosos em toda a série histórica, desde 1991. É importante registrar que o acumulado do ano apresentou o maior número de vítimas no delito lesão corporal culposa no trânsito em toda a série histórica, desde 1997."   E conclui: "Outra análise que merece destaque é o total de prisões e apreensões de crianças/adolescentes, realizadas no mês de julho em todas as formas de comparação, pois apresentou uma significativa melhora. A constatação do aumento de prisões/apreensões é ainda mais positiva se for associada à queda nos índices de autos de resistência." Foram 11 apreensões a mais em relação a julho de 2007, aumento de 7,6%; na comparação dos sete primeiros meses, houve redução de 2,2%, com 24 apreensões a menos em relação a 2007. Dos 33 crimes avaliados pelo ISP, 17 apresentaram queda, em 15 foi registrado aumento e um teve a mesma incidência de 2007.   Quanto aos homicídios dolosos, houve redução de 9,6% (menos 44 vítimas) em relação a julho de 2007. Nos sete primeiros meses de 2008 foram 3.272 vítimas, ante 3.592 no mesmo período de 2007: queda de 8,9%. Já os casos de latrocínio (roubo seguido de morte) aumentaram 110,0% (11 vítimas a mais) na comparação com julho de 2007. Nos sete primeiros meses de 2008 houve 128 vítimas, ante 99 no mesmo período de 2007, aumento de 29,3%. Os roubos a transeuntes também aumentaram: 30,5% em relação a julho de 2007 (mais 1.384 vítimas) e 18,9% no acumulado dos sete primeiros meses, com 6.231 vítimas a mais em 2008.

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