Até música na pressão para aprovar ''ficha limpa''

Caminhada, coleta de assinatura e gravação de letra de Nelson Motta tentam vencer resistência da Câmara em barrar candidatura de políticos condenados

Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2010 | 00h00

Para compensar o ritmo lento do Congresso e a resistência dos parlamentares, os movimentos da sociedade civil a favor do projeto ficha limpa, que barra a candidatura de políticos condenados pela Justiça, vão intensificar até terça-feira as manifestações pela aprovação da lei.

Além de caminhada e coleta de assinaturas em cidades dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Pará, haverá lançamento de uma música. Terça-feira é o dia prometido pelos deputados para votar o projeto ficha limpa.

Ontem, o produtor musical Liminha recebeu de músicos renomados a gravação que cada um fez da paródia que o jornalista Nelson Motta compôs em cima da melodia de Cidade Maravilhosa. Foram convidados Fernanda Abreu, Frejat, Ivo Meirelles, entre outros.

Fácil. Autor de canções famosas como Dancing Days e Como Uma Onda, Motta disse que optou por usar Cidade Maravilhosa como referência (leia ao lado) por ser conhecida e fácil de lembrar. "Meu sonho é que todo mundo aprendesse a música e toda vez que visse um ficha-suja cantasse isso na rua", disse ao Estado. "É causa de uma pessoa decente, de qualquer partido."

Mais de 1,6 milhão de assinaturas foram coletadas em todo o País pela aprovação do projeto. O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral lidera em Brasília os grupos que trabalham pelo projeto ficha limpa.

Amanhã haverá recolhimento de novas adesões no Parque do Ibirapuera (SP), às 10 horas. No Rio, a manifestação está prevista, pela manhã, no Posto 9, em Ipanema, e na Praça da República, em frente ao Teatro da Paz.

O projeto está parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas, sob pressão externa num ano eleitoral, os líderes partidários assinaram pedido de urgência para que o texto seja analisado diretamente no plenário. São necessários os votos favoráveis de 257 deputados para a urgência ser aprovada. Depois, será votado o mérito da proposta. O mesmo número de votos tem de ser alcançado para aprovação.

A proposta torna inelegível por 8 anos políticos condenados por decisão colegiada da Justiça (tomada por mais de um juiz). Cria-se, neste caso, o chamado "efeito suspensivo": o condenado poderá recorrer a instância superior, pedindo suspensão da inelegibilidade até a sentença final. Depois de votado na Câmara, o projeto precisa passar pelo Senado. Para valer nas eleições de outubro, tem de ser aprovado até junho.

TRECHO

"É hora de pôr pra fora nossa opinião/ bandido é pra cadeia/não é pro Congresso não/

Ficha no lixo se lixa pra nós/suja a democracia/rouba do povo e compra eleição/ pra não ir para a prisão-ão-ão "

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