Atendimento em hospitais de SP cai até 27%

Coordenador estadual atribui fato à legislação: ?As pessoas costumam regar seus fins de semana com álcool?

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

05 de julho de 2008 | 00h00

Três hospitais estaduais de São Paulo, referência no atendimento de vítimas de trauma, já sentiram que o trânsito está mais "sóbrio" desde que entrou em vigor a chamada lei seca. No último fim de semana, na porta de entrada dos prontos-socorros do Hospital das Clínicas (zona oeste), do Hospital Regional Sul (em Santo Amaro) e do Complexo Hospitalar do Mandaqui (região norte), a queda de pacientes acidentados no tráfego chegou a 27%, em comparação com os números do fim de semana anterior à vigência da lei."Não há como negar que a redução expressiva de atendimentos é reflexo da nova lei. Se mantivermos a queda de pacientes vitimados, sem dúvida vamos ter três impactos substanciais", afirma Ricardo Tardeli, coordenador da Secretaria de Estado da Saúde, responsável pelo levantamento nas unidades. "O primeiro é a mudança no perfil de cuidados prestados pelas unidades hospitalares. Depois, há o lado financeiro, uma vez que a redução de custos será realidade, pois a verba aplicada em cirurgias complexas e leitos de UTI é altíssima. O terceiro ponto, mais importante, é o fator humano: vai diminuir o sofrimento dos familiares que, angustiados, esperam no saguão notícias do parente acidentado", explica Tardeli. NÚMEROSApenas os hospitais estudados costumavam receber, juntos, 114 vítimas de acidentes de veículos em sextas, sábados e domingos. No último fim de semana , marcado pelas blitze da Polícia Militar - que aplicaram o teste do bafômetro em 416 motoristas -, a quantidade de atendimento nessas unidades caiu para 92 pacientes do tipo, uma queda geral de 20% nas consultas de urgência. No Hospital das Clínicas, a baixa foi ainda maior e chegou a 27%."As pessoas costumam regar seus fins de semana com álcool. A nova lei precisa promover uma mudança cultural. Sabemos que isso só será conseguido a longo prazo, mas já colhemos alguns frutos imediatos, o que é muito bom", avalia Sérgio Nicastri, psiquiatra do Hospital Albert Einstein, especializado em álcool e drogas.

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