Atentado com granada mata um no Rio

Explosão atingiu dois carro e uma moto; Rogério Andrade e filho seriam alvo do ataque

Talita Figueiredo, de O Estado de S. Paulo

08 de abril de 2010 | 17h05

 

RIO - Um atentado contra o contraventor Rogério Andrade e uma das mais movimentadas avenidas da Barra da Tijuca, bairro de classe média alta na zona oeste do Rio, deixou seu filho Diego, de 17 anos, e um de seus seguranças mortos. Segundo a polícia, granadas foram lançadas dentro de um Corolla onde estavam os dois, mais o segurança. Um outro carro com seguranças que os seguia também foi atingido e pegou fogo, mas os homens conseguiram sair antes de ele explodir e se feriram sem gravidade.

 

A polícia ainda investiga se havia explosivos dentro do carro, que seriam usados para sua segurança, diante da magnitude da explosão. O carro, segundo a polícia, era blindado por isso é possível que o ataque tenha sido feito com auxílio de um lança-granadas.

 

Andrade foi levado para um hospital e não corre risco de morrer. Ele foi atendido no hospital Barra D'Or apresentando traumas na face e seria, ainda nesta quinta-feira, submetido a cirurgia ortopédica na região da boca, permaneceria internado sem previsão de alta médica. Ele e o filho haviam saído de uma academia de ginástica.

 

Além dos dois e do segurança, uma mulher os acompanhava. Ferida, ela também foi levada para o hospital. Até a noite desta quinta-feira não havia informações sobre seu parentesco com os Andrade. O nome do segurança morto também não havia sido divulgado pela polícia.

 

De acordo com a Polícia Militar a cena dos carros queimados lembrava a de um atentado terrorista. Num raio de 70 metros era possível ver partes de corpos e pedaços do veículo. Vestido com bermuda e camiseta de malha, o corpo do filho do bicheiro ficou do lado de fora do carro, parcialmente queimado e sem uma das pernas. O ataque aconteceu próximo a uma unidade do Corpo de Bombeiros e eles chegaram rápido ao local para apagar o fogo.

 

Rogério Andrade é sobrinho do contraventor Castor de Andrade, já falecido. Ele foi acusado e julgado pela morte do seu primo Paulinho Andrade, herdeiro e filho de Castor, em 1998 na Barra. Pelo crime ele foi condenado a 19 anos de prisão. Além disso, ele também foi condenado pela Justiça Federal a 18 anos de prisão por crime de formação de quadrilha, corrupção ativa e contrabando por seu envolvimento com os caça-níqueis.

 

Depois de mais de três anos foragido, ele foi preso em outubro de 2006 na Rodovia Rio-Petrópolis pela Polícia Federal com seu contador, Roland Hollanda Cavalcanti, um policial reformado. Ele, que sempre negou tanto a morte do primo, quanto o envolvimento com a contravenção, conseguiu por meio de seu advogado anular o julgamento que o condenou pela morte de Paulinho. Em junho do ano passado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu habeas corpus a Rogério Andrade.

 

Andrade protagoniza no Rio uma guerra com Fernando de Miranda Iggnácio, que começou depois da morte de Castor, em 1997. Pouco antes, o bicheiro dividiu seus negócios entre os dois. Deixou para o sobrinho o comando das bancas do bicho e, para Iggnácio, os jogos de caça-níqueis. No entanto, o bicho perdeu força e, consequentemente, lucro no Estado. Começou então a disputa entre o comando da máfia dos caça-níqueis principalmente na zona oeste do Rio, reduto de Castor. Segundo a polícia, dezenas de pessoas já foram mortas na guerra entre os dois.

 

Iggnácio foi preso um mês depois de Rogério acusado de tentar matar algumas pessoas, entre elas, dois policiais militares e um bombeiro. Ele foi solto em março do ano passado.

 

Em maio de 2008, o nome Rogério foi ligado ao do ex-chefe da Polícia Civil do Rio e deputado estadual cassado Álvaro Lins, que o protegeria. O delegado e outras 14 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal do Rio pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, facilitação de contrabando e corrupção passiva. Segundo a denúncia, ele não reprimiria a atividade de exploração de máquinas caça-níqueis pelo grupo criminoso de Rogério. Lins nega as acusações.

 

Texto atualizado às 20 horas.

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