Atentado contra bases da PM na BA fere 3 policiais

Ataques estariam relacionados a transferência de líder do tráfico

Tiago Décimo, SALVADOR, O Estadao de S.Paulo

08 de setembro de 2009 | 00h00

Quatro bases policiais e duas viaturas da Polícia Militar foram metralhadas na madrugada de ontem em Salvador. Três policiais ficaram feridos, um deles em estado grave. Duas moradoras de rua tiveram ferimentos leves, atingidas por estilhaços. Três supostos criminosos foram mortos em confronto com a polícia. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a transferência de um traficante para um presídio federal seria a causa dos ataques.

Os ataques começaram às 5 horas e foram realizados por 12 a 15 pessoas, divididas em três carros. Foram atacadas as bases dos bairros de Uruguai, Ribeira e Pirajá, na Cidade Baixa, e a da estação rodoviária de Mussurunga, a cerca de 30 quilômetros dos outros três.

Depois de atacar a última base, parte dos criminosos, em um Fiesta, ainda abriu fogo contra uma picape da PM, na Avenida Paralela - a mais movimentada da cidade. Os quatro policiais que estavam na viatura seguiam para o desfile de 7 de Setembro. Houve perseguição e troca de tiros.

Os três ocupantes do carro, Jeferson Oliveira Santos, Danilo dos Santos Souza e outro homem, sem identificação, foram atingidos e morreram antes da chegada do socorro médico. Com eles, os policiais encontraram munições de diversos calibres, uma touca preta, dois revólveres calibre 38, uma pistola 380 mm e dois celulares.

As primeiras investigações apontam a relação entre os ataques e a transferência de um dos líderes do tráfico de drogas na Bahia, Cláudio Campanha, para o Presídio Federal de Campo Grande (MS), realizada na sexta-feira. "Estamos fazendo diligências por toda a cidade, com o auxílio de helicópteros, para localizar e prender os envolvidos", disse o secretário de Segurança Pública, César Nunes.

Dos ataques, o considerado mais grave foi o realizado no bairro periférico do Uruguai. Os criminosos dispararam mais de 30 vezes contra a unidade e ainda jogaram dentro do espaço um coquetel molotov - bomba caseira. Somente o sargento Flaviano Caetano Boa Morte foi ferido. Segundo os médicos, ele não corre risco de morte. Em Pirajá, os criminosos conseguiram ferir dois soldados, um deles está em estado grave. Uelinton Barbosa dos Santos foi transferido para o Hospital Geral Roberto Santos e não corre risco de morrer. Já Israel Conrado de Araújo, levado à mesma unidade, ferido nas duas pernas, foi internado com intensa hemorragia.

Contra o posto da Ribeira, os criminosos atiraram mais de 40 vezes, mas os dois policiais que estavam no local saíram ilesos. Atingidas por estilhaços de vidro e pedaços de alvenaria, duas moradoras de rua que dormiam ao lado da unidade tiveram pequenos cortes.

ARRASTÃO

Outro evento que mobilizou a polícia de Salvador no feriado foi um arrastão promovido por cerca de 50 jovens, quase todos com menos de 18 anos, no Subúrbio Ferroviário da cidade. De acordo com a SSP, os adolescentes invadiram e saquearam lojas e quebraram vidros de automóveis estacionados na região para furtar produtos. Localizados por policiais, 28 deles, todos menores, foram detidos. Pouco depois, um grupo de 20 jovens ateou fogo contra um ônibus que passava pela região - de acordo com a polícia, como reação à prisão dos jovens.

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