Atentado volta a Florianópolis após uma trégua de cinco dias

Um ônibus foi incendiado no final da tarde desta terça-feira

Por Júlio Castro, Especial para o Estado,

05 Fevereiro 2013 | 19h28

FLORIANÓPOLIS - Depois de cinco dias de trégua de atentados contra veículos de transporte na capital catarinense, um ônibus da empresa Transol foi incendiado completamente em ação criminosa feita por três homens, sendo um menor. O atentado, pela primeira vez à luz do dia em Florianópolis e próximo dos estúdios das principais emissoras de televisão, aconteceu por volta das 17h45 desta terça-feira, no morro da Caieira do Saco dos Limões, menos de um quilômetro do centro da cidade. O sinistro aconteceu em uma rua estreita e de difícil acesso. Moradores do local tentaram apagar o fogo com mangueiras domésticas. Fios da rede de energia elétrica foram atingidos pelas labaredas.

Agora já são 57 as ações provocadas por integrantes externos ligados à facção Primeiro Grupo da Capital (PGC) que é comandada de dentro dos presídios catarinenses. Segundo o motorista do ônibus, Antônio, no momento de parada para pegar uma passageira, dois homens armados e encapuzados saíram rapidamente de trás do abrigo com uma garrafa de refrigerante contendo gasolina. Eles deram ordem para que todos abandonassem o ônibus e em seguida atearam fogo. "Eles disseram para eu abrir todas as portas para que os passageiros saíssem. Só deu tempo de pegar minha carteira e a bolsa para o fogo começar", disse o motorista, ainda em choque.

Os bombeiros chegaram ao local cerca de 20 minutos depois. Menos de uma hora depois do ato, o Batalhão de Operações Especiais (Bope), com base em denúncias de moradores do local, conseguiu identificar os autores do crime e prendeu um, de 14 anos, que foi encaminhado para a 2ª Delegacia de Polícia. Os demais autores embrenharam-se em fuga por um matagal perseguidos pela PM. Foi a 10º atentado feito em Florianópolis desde o dia 31 de janeiro.

Avaliado em R$ 300 mil, o ônibus - quinto incendiado nos últimos seis dias em Florianópolis - teve perda total. "É um prejuízo para empresa, mas entendemos que prejuízo maior é da população que convive com este clima de terror e que ficará prejudicado com mais um veículo a menos de serviço nas ruas", comentou um agente da empresa ao chegar ao local que preferiu não se identificar. Muitos moradores do local evitaram dar declarações sobre o detalhes do evento temendo represálias. A Polícia Militar e as operadoras de transportes que operam as linhas de morros da Capital decidiram suspender temporariamente o serviço.

A série de atentados em Santa Catarina entrou no seu sexto dia com outras seis ações criminosas na noite de segunda e madrugada de terça-feira. Agora já são 57 as ocorrências em 18 municípios. Os atentados de segunda e terça-feira foram feitos nas quatro regiões do Estado.

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