Atentados à bomba paralisam fóruns em São Paulo

O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar desarmou nesta sexta-feira uma bomba encontrada no porta-malas de um Escort parado desde a tarde desta quinta-feira no estacionamento do Fórum Ministro Mário Guimarães, na Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.O Juizado Especial Criminal de Itaquera-Guaianases, na zona leste, foi alvo de outro atentado, no início da tarde desta sexta. Autoridades não excluíram a possibilidade de o Primeiro Comando da Capital (PCC) ter orquestrado os ataques.?Granada gigantesca?A polícia esvaziou o Fórum da Barra Funda, que tem 5 mil funcionários e um público de 7 mil pessoas por dia, às 12h30. A Avenida Doutor Abraão Ribeiro, diante do prédio, ficou interditada por mais de uma hora durante o trabalho de desativação do artefato.O comandante do Gate, capitão Diógenes Dalle Lucca, comparou o Escort a um carro-bomba. "Quando falamos de carro-bomba sempre é uma coisa mais grave, principalmente quando temos uma grande quantidade de explosivos como esta. Estamos falando de uma granada gigantesca." Segundo ele, peças do carro seriam arremessadas em caso de explosão.DinamiteCom um estouro, às 15h12, o Gate desarmou 40 quilos de explosivos acondicionados em uma caixa de papelão, sem tampa. O ruído foi equivalente ao estampido de uma espingarda calibre 12. Foi provocado por uma carga de explosivo acoplada ao artefato pelos homens do Gate para destruir o mecanismo que iniciaria o processo de explosão da bomba.O explosivo é de fabricação industrial, do tipo power-gel, tecnicamente chamado de "emulsão", e pode ser comparado à dinamite. Ele estava acondicionado em 20 cartuchos. "É uma quantidade considerável, poderia produzir danos importantes nas vidraças aqui", disse Lucca.A explosão também poderia matar pessoas. O número de vítimas dependeria da proximidade do carro. O isolamento de segurança mínimo é de 50 metros. Na hora da desativação do artefato, jornalistas estavam a 200 metros de distância.O aparato do artefato incluía carga explosiva, dispositivo para iniciar a explosão e uma antena. A antena pode indicar a intenção de detonar a bomba à distância, mas a confirmação da suspeita depende de análise detalhada do material.BoatosLucca negou boatos de que o PCC teria reivindicado o envio do carro-bomba ao fórum em represália à morte de 12 bandidos num tiroteio, terça-feira, em Sorocaba. "Não tem bilhete nenhum", garantiu. "Vamos continuar fazendo o que tem de ser feito", disse o diretor do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), Godofredo Bittencourt. "Até terroristas do Chile já pusemos na cadeia."O advogado do PCC, Anselmo Neves Maia, afirmou nesta sexta não ter conhecimento da participação do grupo nos atentados. "Só vou ter contato com as lideranças na segunda-feira; dizer qualquer coisa agora seria especulação."Este ano, o PCC assumiu a autoria de atentados em São Paulo e São Vicente. Na capital, três bombas explodiram diante da sede da Secretaria da Administração Penitenciária, no centro. O fórum de São Vicente foi metralhado e um advogado morreu.GuaianasesNa zona leste, havia uma faixa de pano com os dizeres "PCC, a luta continua 1533 GRCP", num terreno ao lado do juizado. Mesmo assim, a polícia, que deteve dois suspeitos, evitou atribuir o crime à facção. "Pelo amadorismo, não acreditamos que tenha sido o PCC, podem ser pessoas querendo a anarquia", disse o delegado da 8ª Seccional, de São Mateus, Antônio Mestre Júnior.A bomba foi lançada por dois homens em uma motocicleta Yamaha TT 125 cilindradas vermelha, mas explodiu numa lanchonete vizinha do fórum. Em seguida, a dupla atirou no prédio do juizado. Outros dois homens que davam cobertura fugiram a pé, abandonando uma Yamaha XT 225 cc. Ninguém se feriu.A polícia deteve Wilson Vagner Garcia Silva, de 32 anos, e Messias de Souza Barbosa, de 25. Ambos são maranhenses e não têm antecedentes criminais. Um dos detidos chegou há poucos dias do Norte e tinha uma carteira de identidade nova. A polícia vai investigar se ela não é falsificada.

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