Atentados a prédios públicos são rotineiros no Rio

Ataques a prédios do governo deixaram de ser novidade noRio. Em maio deste ano, quatro homens armados explodiram uma granada em frente ao prédio da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, em Botafogo, zona sul do Rio, e metralharam a portaria. Em outubro do ano passado, em outra ação audaciosa, criminosos usaram duas carretas para derrubar uma das paredes da carceragem da sede da Divisão de Captura e Polícia Interestadual (Polinter), na zona portuária, e libertar 14 traficantes.Em junho de 2000, duas funcionárias da Secretaria Municipal de Administração ficaram feridas com a explosão de uma carta-bomba endereçada à então titular da pasta, Vanice Lírio do Vale.Dois funcionários ficaram feridos no atentado de 15 de maio na sede da Secretaria de Direitos Humanos. A polícia investiga se a ação foi promovida por criminosos paulistas ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em conjunto com líderes de facções cariocas presos no complexo penitenciário de Bangu. Os bandidos deixaram um cartaz ameaçando responder à bala a?qualquer ação arbitrária com nossos irmãos na cadeia?. Na época, a polícia cogitou também a possibilidade de o atentado ter sido uma reação à prisão de 32 pessoas ligadas ao tráfico de drogas, entre eles Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, e familiares de Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê.A ação na Polinter, ocorrida na madrugada do dia 29 de outubro de 2001, é atribuída ao bando do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, também apontado como assassino do jornalista da TV Globo Tim Lopes. O objetivo foi libertar integrantes de sua facção criminosa, o Comando Vermelho. Um grupo de 20 homens armados de fuzil e vestidos de coletes à prova de bala rendeu omotorista de um ônibus, obrigado a atravessar o veículo na Avenida Rodrigues Alves, onde fica a Polinter, interrompendo o trânsito. Em seguida, eles cruzaram o canteiro central com duas carretas. Uma chocou-se de marcha à ré contra a parede e fechou o tráfego da avenida no sentido Praça Mauá. A outra bateu de frente várias vezes contra a carceragem. Do alto do Viaduto da Perimetral, homens em dois Vectras atiravam contra a sala de plantão da Polinter. Em outras ocasiões, postos da Polícia Militar e delegacias foram alvejadas por bandidos em vários bairros do Rio. No dia 19 de junho de 2000, um pacote que estava no nome da então secretária municipal de Administração, Vanice Lírio do Vale, explodiu em seu gabinete, ferindo sua secretária e outra funcionária, no mesmo prédio que nesta segunda-feira foi atacado. Em sua gestão, Vanice defendeu temas polêmicos, mas o então prefeito, Luiz Paulo Conde, reduziu a importância do atentado, afirmando que o ato tinha partido de um ?tresloucado?, que tinha a intenção de assustar e não de matar.

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