Guto Kuerten/Agência RBS<br>
Guto Kuerten/Agência RBS<br>

Atentados em SC foram coordenados por presos do Rio Grande do Norte

Segundo a Diretoria Estadual de Investigações Criminais, no presídio de Mossoró estão confinadas lideranças de facção

Tomás Petersen , Especial para O Estado

02 Outubro 2014 | 19h07

FLORIANÓPOLS - A Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) confirmou nesta quinta-feira, 2, que os atentados em Santa Catarina foram ordenados a partir do presídio de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Na unidade estão confinadas, desde 2012, algumas das lideranças da facção PGC (Primeiro Grupo Catarinense), também responsáveis por outras duas ondas de atentados.

De acordo com o delegado Procópio Silveira Neto, que comanda a divisão de repressão ao crime organizado da Deic, a ordem pode ter saído de Mossoró a partir de uma visita, feita oralmente. Em Santa Catarina, ela foi retransmitida por presos do complexo penitenciário de São Pedro de Alcântara em mensagem de voz.

Nesta mensagem que circulou entre criminosos de todo o Estado, as lideranças pedem o fortalecimento do tráfico de drogas e reclamam das condições do sistema penitenciário de Santa Catarina.

Na terça-feira, uma carta assinada por presos de São Pedro de Alcântara e encaminhada à juíza da Vara de Execuções Penais de São José, Alexandra Lorenzi da Silva, foi divulgada à imprensa. Nela, de forma pacífica, os detentos solicitam melhorias na unidade. A juíza prometeu uma vistoria para as próximas semanas.

Na quarta-feira, o Departamento Estadual de Administração Prisional (Deap) emitiu nota oficial contestando a carta dos presidiários. "Na Penitenciária de São Pedro de Alcântara, os presos não têm acesso a computadores, de modo que a 'carta' divulgada não foi redigida no interior daquela unidade prisional. Mais da metade das assinaturas constantes na segunda parte do documento estão agrupadas em sequências de até 50 signatários, grafadas com a mesma caligrafia". O documento também afirma que todas os serviços de assistência aos internos, como saúde, alimentação e trabalho, são garantidos plenamente, ao contrário do que denunciam os presos.

Desde sexta-feira, 26, quando começaram os ataques, a PM registrou pelo menos 52 ocorrências em 21 cidades até o final da tarde desta quinta-feira. Entre elas, incêndios a ônibus, atentados contra casas de policiais e bases da polícia e um homicídio. Na madrugada de quinta, uma guarita do Centro Administrativo do Governo do Estado foi alvejada por 10 tiros, mas ninguém se feriu. Pelo menos 24 suspeitos foram presos e oito menores apreendidos. 

Mais conteúdo sobre:
Santa Catarina Rio Grande do Norte

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.