Atentados teriam dividido comando do PCC

O Primeiro Comando da Capital (PCC) está rachado. Investigações da polícia acompanhadas pelo Ministério Público Estadual mostram que a nova onda de atentados foi ordenada pelo líder máximo da organização, José Márcio Felício, o Geleião, contra a opinião de dois outros homens da cúpula da organização: Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Cesar Augusto Roris, o Cesinha. Estes dois defendiam a manutenção da paz nas prisões e nas ruas.As 30 horas de gravação de telefonemas feita pela polícia com autorização judicial revelam que Geleião ordenara à mulher, Petronília Maria de Carvalho Felício, a realização de uma onda de atentados. Ela repassou a ordem a um comparsa: "Quero uma festa (atentado) por dia". A bomba na Bovespa seria o mais grave deles. "Ela e o marido são os mandantes dos atentados contra policiais militares no Estado na semana passada", afirmou o delegado Ruy Ferraz Fontes.Na semana passada, integrantes do PCC dispararam contra guarnições da PM em São Paulo e no Guarujá e contra uma base da corporação, em Campinas, onde mataram o soldado Simão Pedro Ribeiro de Queiroz. "Ela será indiciada por esses crimes", disse Fontes.Além disso, as gravações mostram que os integrantes do PCC usavam entre si apelidos como "terrorista" e "Bin Laden". As vozes discordantes na organização estavam sendo ameaçadas por Petronília. Era o caso da mulher de Cesinha, Aurinete Roris. Num telefonema, Petronília diz que, se Aurinete continuar contra as ordens de Geleião, ela iria matá-la. A mulher de um outro preso foi ameaçada pelo mesmo motivo.Para o promotor Roberto Porto, com o enfrentamento, Geleião desejava causar problemas para o governo do Estado na semana das eleições. Os atentados seriam uma pressão por causa de os líderes do PCC terem sido postos numa prisão com bloqueador de celular e sob rígida disciplina - o banho de sol deles só dura uma hora por dia e não têm direito a televisão ou rádio na cela.As gravações mostram Petronília ordenando a morte de dois dos maiores traficantes de drogas presos no Estado: José Nardi Filho, o Naíde, e Ezequiel Ferreira dos Santos, o Kito. Segundo a polícia, integrantes do bando deles haviam tomado 30 quilos de cocaína de um grupo de jovens traficantes, sem saber que eles eram do PCC. Quando souberam, devolveram a droga, mas era tarde: a sentença de morte já havia sido dada. Naíde estava no 43º Distrito Policial de São Paulo, e Kito, na Penitenciária de Franco da Rocha. A polícia os levou para um lugar seguro.

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