Atirador de bola de gude vira caso de polícia

Com estilingue, ele já destruiu ao menos dez vidraças de imóveis; delegado abriu inquérito, depois de moradores registrarem 6 B.O.s

Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

14 de dezembro de 2007 | 00h00

Vuuuuupt! Foi esse o barulho que rompeu o silêncio na Vila Conceição às 23h30 do dia 5. O ruído do elástico de um estilingue foi ouvido pela moradora do quinto andar do Edifício Morada do Parque. Em seguida, o advogado João Amaral, morador do 12º andar, uma cobertura dúplex de 150 metros quadrados com piscina, ouviu o estalo seco de uma bolinha de gude quebrando a vidraça da varanda. Amaral lia um livro na cama e correu para ver o estrago. Não agüentou de raiva e começou a xingar para o vazio, em direção ao prédio vizinho. Pela terceira vez em três meses, vidros de seu apartamento eram atingidos por bolinhas de gude disparadas por um vizinho desconhecido.Para se prevenir, depois do segundo ataque, Amaral instalou holofotes na varanda, que ficavam ligados à noite inteira, para tentar intimidar o agressor. Não deu certo. Com o equipamento e o conserto dos vidros, já gastou mais de R$ 4 mil. ''''Só pode ser um maníaco. É uma situação terrível e não tenho mais tranqüilidade. Quem me garante que depois não será uma besta com flechas e tiros de revólver?''''Amaral decidiu ir ao 15º Distrito Policial pedir ajuda aos policiais, que abriram inquérito para apurar o caso. Antes disso, o advogado havia iniciado uma apuração paralela, ouvindo vizinhos e moradores de outros três apartamentos das redondezas e descobriu que o problema é antigo. ''''Outros moradores dos arredores já foram atacados. Se alguém não se expuser, isso nunca vai parar.''''Carlos, que mora na outra cobertura da Morada do Parque, havia sido atacado em agosto. Foi uma situação traumática. Havia pouco tempo, ele tinha sido vítima de um assalto e tomou um tiro de raspão no rosto. O prédio ao lado, projetado pelo arquiteto Isay Weinfeld e feito todo em vidraças para ter vista 360º alcançando o Parque do Ibirapuera, foi um prato cheio. Foi atingido por bolinhas de gude há cerca de 30 dias.Os seis boletins de ocorrência descrevendo os ataques ajudaram o delegado Giovanni Roma, que coordena as investigações, a montar um quebra-cabeça. Com a ajuda de peritos da Polícia Civil - ele ainda aguarda os laudos definitivos do Instituto de Criminalística -, chegou pelo menos à localização provável de onde os disparos provavelmente partiram: o Edifício Courbet, de um apartamento por andar, nos andares mais altos.O síndico do edifício, Antônio Carlos, que pede para não ter o nome inteiro divulgado por temer processos, admite que o maníaco do estilingue pode morar em seu prédio. Ele deu todo o apoio a Amaral e comprometeu-se a ajudar no que for necessário. ''''Já recebemos várias reclamações de vizinhos que acusam alguém do edifício de atirar coisas aqui de cima.''''Ele próprio foi vítima de um morador-problema - um arquiteto de 25 anos, com ficha suja no condomínio. Em 2002, Antônio fazia uma reforma no apartamento. Pedreiros do síndico viram quando o tal morador jogou vários ovos para baixo. E recebeu como punição apenas uma notificação condominial.

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