Atirador do shopping vai a júri hoje certo da condenação

O julgamento de Mateus da Costa Meira, o atirador do Morumbi Shopping, que começa hoje, às 13 horas, no Fórum Criminal da Barra Funda, é um júri de resultado conhecido. O ex-estudante de Medicina, que metralhou a platéia de um cinema, em 3 de novembro de 1999, matando três pessoas e ferindo outras quatro, será condenado e, na prática, permanecerá na prisão pelo tempo máximo permitido por lei - que é de 30 anos. "Ele tem consciência do ato que cometeu e de que permanecerá por um longo período na prisão", disse o criminalista Sérgio Reis, que coordena a defesa de Mateus. A tarefa dos advogados do réu - além de Reis, Júlia de Menezes Nogueira e Tácio Lacerda Gama - é ingrata. "A pena será alta de qualquer forma. Um crime desses, não há como pegar uma pena pequena", disse Reis, que, aos 49 anos de idade vai enfrentar o caso de maior repercussão de sua carreira de 25 anos. "O que a gente espera apenas é que o júri não se traduza em vingança. Ele é uma pessoa digna de pena. Estraçalhou a vida das vítimas e de seus familiares e também fez o mesmo com sua própria família." Os pais e familiares de Mateus, que moram na Bahia, não virão. O rapaz está preso em Tremembé e chegará à capital nesta manhã. ´Clube da Luta´Mateus dirá em seu interrogatório que não se lembra de tudo que aconteceu naquela noite. Durante a sessão do filme Clube da Luta e sob o efeito de cocaína, ele invadiu a sala 5 do cinema - que foi fechada - e atirou com uma submetralhadora 9mm na direção da platéia. Além dos três homicídios e das quatro tentativas de assassinato, ele também será julgado por ter colocado em risco a vida de outras 15 pessoas (número de tiros que restaram). O julgamento deve durar três dias. Defesa e promotoria deverão travar alguns duelos. Os advogados querem exibir a íntegra do filme Clube da Luta. "Queremos mostrar o clima formado para o crime", disse Reis. "Então vai ter que distribuir metralhadora e pipoca também aos jurados", rebateu o promotor Norton Geraldo Rodrigues da Silva. "Vou me manifestar no julgamento, mas não sei o que acrescentaria. Esse filme não foi periciado e existem óbices legais", disse. A defesa quer ainda desmembrar (separar) o julgamento de Mateus com o do homem que lhe vendeu a submetralhadora usada no crime, Marcos Paulo Almeida Santos, que também vai a júri hoje. "Em princípio, gostaria de fazer os dois juntos, de uma vez só", disse o promotor.

Agencia Estado,

01 de junho de 2004 | 08h33

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