Ativistas suspendem acampamento ao lado de Cais José Estelita

Decisão foi tomada após 50 dias de ocupação e ocorreu porque os manifestantes estariam recebendo ameaças e agressões físicas

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2014 | 14h04

RECIFE - Por temor de atos de violência, os ativistas do movimento #OcupeEstelita decidiram suspender na noite desta quinta-feira, 10, o acampamento sob o viaduto Capitão Temudo, ao lado do terreno onde se prevê a construção do projeto imobiliário Novo Recife, que inclui 12 torres residenciais e comerciais de até 40 andares em área nobre do Recife, na bacia do Pina.

A decisão, tomada depois de 50 dias da ocupação do Cais José Estelita, é apenas uma mudança de estratégia, de acordo com o movimento. "Só não haverá mais dormida no local, mas as palestras e atividades culturais de mobilização contra o projeto continuam", assegurou Chico Ludermir, um dos seus porta-vozes.

"Este é um caminho sem volta", destacou Ludermir, ao constatar que "hoje, não somente o Recife, mas o mundo, discutem o Cais José Estelita", que se tornou uma "referência" na luta por uma cidade menos excludente e mais justa, popular, com qualidade de vida para todos.

A suspensão do acampamento durante a noite foi decidida diante de ameaças e agressões físicas que estariam sofrendo os ativistas desde que deixaram o terreno do Projeto Novo Recife após reintegração de posse realizada no dia 17 de junho, quando houve uso de spray de pimenta e bombas de efeito moral, com um saldo de seis pessoas feridas.

Retirados do terreno, eles passaram a acampar ao lado. A ocupação do Estelita começou  no dia 21 de maio, logo após o início da demolição dos antigos armazéns do terreno, que está suspensa.

Alvo de questionamento judicial, o projeto Novo Recife significa um investimento de R$ 800 milhões em uma área de 101 mil metros quadrados. Formado pelas empreiteiras Moura Dubeux, Queiroz Galvão, Ara Empreendimentos e LG Empreendimentos, o consórcio Novo Recife adquiriu o terreno, que estava abandonado e pertencia ao espólio da Rede Ferroviária Federal, em um leilão realizado em 2008, por R$ 55 milhões.

O projeto é questionado pelo Ministério Público Federal, pelo Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE) e também por ações populares, em vários níveis: da validade do leilão à ausência de Estudo de Impacto Veicular (EIV),no estudo de impacto ambiental e falta de licenças do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A Prefeitura do Recife atua como mediadora no caso. Uma audiência pública em torno do assunto será realizada no dia 17, para a discussão de um documento base de diretrizes urbanísticas a ser apresentado pela prefeitura - depois de ouvir também o #OcupeEstelita e as construtoras.

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