Atlas mostra diferenças sócio-econômicas ´gritantes´ em SP

Há alta disparidade econômica entre os 39 municípios que compõem a região metropolitana de São Paulo, revela o Atlas Municipal de Uso e Ocupação do Solo, que será lançado na sexta-feira. "Os dados são gritantes", afirma Marcos Campagnoni, presidente da Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano), que elaborou o relatório.O Atlas, que analisou o uso e ocupação do solo da região metropolitana, traz informações da região metropolitana como um todo, "que sozinha gera 15% do PIB do Brasil", diz Campagnoni.O estudo trabalhou com imagens de satélite e levantamento de campo destes municípios. De acordo com os dados, a cidade de São Paulo, que representa em espaço um milésimo do Brasil e 3% da área do Estado paulista, ao mesmo tempo em que gera a maior riqueza nacional, tem também o maior número de pessoas miseráveis: 2,5 milhões vivem abaixo da linha da pobreza.De acordo com o Atlas, há 2.018 favelas só no município de São Paulo, e 2.797 em toda a região metropolitana. Em quilômetros quadrados, a capital paulista tem o equivalente a quatro vezes a área de São Caetano. "Há um anel de favelas de 60,67 quilômetros quadrados no entorno do centro expandido de São Paulo", contou o presidente da Emplasa.A cidade São Caetano do Sul apresenta o melhor índice de desenvolvimento infantil dentro da região metropolitana. O índice da cidade ficou em 0,895, ficando, porém, em 38º no Estado e em 59º no País. Em contrapartida, Itaquaquecetuba registra o pior índice do Brasil, com 0,619. "Significa que a cidade está abaixo de todos os 2.782 municípios do país", salientou Campagnoni.Entre as boas notícias publicadas no Atlas está a melhora dos indicadores de violência na região metropolitana. O índice de homicídio doloso caiu 49,36% entre o período de 2000 para 2005. Os municípios Guararema e São Caetano do Sul apresentaram os menores índices no quesito com 4,15 e 4,36 homicídios, respectivamente, por 100 mil habitantes. São Paulo está na média, com a 22ª colocação, com 23,98 homicídios. Os piores índices vem das cidades Embu-Guaçu, com 48,25, e Juquitiba, com 59,01 homicídios. De forma geral, os roubos também diminuíram, com queda de 14,19%, entre 2000 e 2005. São Paulo, no entanto, mostra o pior resultado, com 1.074,96 roubos no ano/100 mil habitantes.

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