Ato anticorrupção no Rio pede 'mais faxina' na política

Organizado por redes sociais, protesto na Cinelândia reúne cerca de 2,5 mil pessoas e no final é reforçado por bombeiros em greve

ALFREDO JUNQUEIRA, FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2011 | 03h05

A manifestação "Todos Juntos contra a Corrupção - Compartilhe Honestidade", realizada ontem na Cinelândia, no centro do Rio, foi marcada pela espontaneidade dos participantes, a presença reduzida de jovens, os discursos contraditórios e a inexperiência dos organizadores, que misturavam falas genéricas com músicas de protesto e longos períodos de silêncio.

O ato, que foi idealizado a partir das redes sociais e conquistou o apoio de mais de 33 mil usuários no Facebook, conseguiu reunir cerca de 2,5 mil pessoas até o início da noite, de acordo com a Polícia Militar.

Muitos cartazes improvisados e feitos a mão faziam referência à "faxina" promovida pela presidente Dilma Rousseff no governo federal. Alguns apoiavam e outros reclamavam que a "limpa" havia sido interrompida.

As reivindicações eram variadas. Manifestantes apoiavam a Lei da Ficha Limpa, o voto distrital, a campanha "Fora Ricardo Teixeira", a aprovação da PEC 300. Houve protestos também como o sucateamento do sistema de bondes de Santa Teresa e campanhas por drenagem e pavimentação de ruas.

Embora os organizadores falassem o tempo todo que não eram contra políticos e nem partidos, seus discursos se referiam aos "vagabundos que estão no poder". Vassouras foram distribuídas pela ONG Rio de Paz e coloriram de verde e amarelo a área da manifestação.

No início da noite, o movimento grevista dos bombeiros do Rio reforçou a manifestação, com mais de 300 homens que marcharam desde a Assembleia Legislativa, a um quilômetro da Cinelândia. Palavras de ordem contra o governador Sérgio Cabral começaram a competir com os discursos que vinham do carro de som.

O vereador Eliomar Coelho e o deputado Marcelo Freixo, ambos do PSOL, foram hostilizados por alguns manifestantes, sob acusação de oportunismo, e defendidos por outros. Fernando Gabeira e Fernando Peregrino, candidatos derrotados ao governo do Rio ano passado, também compareceram.

Personagens. Fantasiado de Cristo crucificado, o mineiro André Luiz dos Santos vestia uma camiseta com a frase "Sinto vergonha das autoridades do meu País." O aposentado Lacyl Pereira, de 74 anos, segurava um cartaz com a frase "Presidente Dilma, afasta esse maldito cálice (Lula) da senhora".

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