Ato contra invasão do MST a fazenda do tráfico

Funcionários de Gustavo Bautista bloquearam ponte na BA; Colômbia confisca ilha de Abadía

Tiago Décimo, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2028 | 00h00

Salvador - Cerca de 1,5 mil dos 2,2 mil trabalhadores da Fazenda Mariad, em Juazeiro (BA), a 500 quilômetros de Salvador, fizeram ontem uma manifestação contra a invasão da propriedade por cerca de cem famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), na madrugada de domingo. Os manifestantes interditaram por duas horas a Ponte Presidente Dutra, que liga Juazeiro a Petrolina (PE). Eles alegam que não há segurança suficiente para trabalhar na fazenda depois da invasão do MST. "Não há a menor condição de trabalhar lá, com todas aquelas pessoas armadas com facões e foices", afirma a funcionária Raimunda Aliança.Os empregados estão sem patrão desde o fim de semana, quando o proprietário da Mariad, o colombiano Gustavo Duran Bautista, foi preso no Uruguai com 485 quilos de cocaína. Ele é acusado de participar da quadrilha do megatraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía.A gerente da fazenda, Ana Lúcia de Araújo Lacerda, também foi presa, por agentes da Polícia Federal, no dia 20.Segundo a PF, a propriedade - sede da empresa de exportação de frutas Mariad - funcionava como fachada para um esquema de tráfico internacional de drogas - a cocaína era armazenada em fundos falsos das caixas de frutas, que depois eram exportadas para a Europa. A juíza Paula Mantovani, da 1ª Vara Federal de São Paulo - que expediu a ordem de prisão da administradora da Mariad -, reuniu-se com representantes do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Juazeiro. Na pauta, a indicação de um interventor para administrar a unidade e retomar os trabalhos. Segundo a juíza, será feita uma vistoria nas áreas produtivas da fazenda e um levantamento do patrimônio da empresa. Caso haja indícios de que havia produção de drogas dentro da propriedade, ela será desapropriada.ABADÍA A Justiça colombiana bloqueou ontem 322 bens de Juan Carlos Abadía, avaliados em US$ 400 milhões. A Polícia Judicial da Colômbia (Dijin) informou que foram bloqueados 300 imóveis localizados nas cidades de Cali, Medellín, San Andrés e Cartagena. Eles serão submetidos a um processo judicial de confisco pelo Estado. Além disso, foram encontrados documentos sobre a estrutura econômica dos negócios de Abadía. Segundo a Dijin, ele investiu grande parte dos lucros do tráfico na criação de pelo menos 18 empresas e sociedades, sobretudo nos setores imobiliário e turístico. Por meio de testas-de-ferro, Abadía adquiriu apartamentos, fazendas, um hotel, um ginásio e até uma ilha.

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