Lucas Azevedo/AE
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Ato ecumênico marca volta às aulas na Universidade Federal de Santa Maria

Caminhada silenciosa lembrou os 115 alunos ou ex-alunos mortos no incêndio da boate Kiss, que deixou total de 237 vítimas

Lucas Azevedo, Especial para o Estado

04 Fevereiro 2013 | 09h58

SANTA MARIA - Um ato ecumênico em homenagem às vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, reuniu milhares de alunos no campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que volta às aulas na manhã desta segunda-feira, 4. Mais cedo, uma caminhada silenciosa com cerca de 200 pessoas lembrou os 115 alunos ou ex-alunos da universidade mortos na tragédia, que  deixou 237 mortos no total.

Na cerimônia, foi anunciado que estudantes de arquitetura estão projetando um monumento em homenagem às vítimas. "A universidade tem que ser forte mas muito carinhosa conosco", afirmou o reitor da UFSM, Felipe Martins Müller. "Acho que é isso que temos que levar daqui pra frente: que enfrentemos essa tragédia e juntos vamos superar", disse.

Entenda. O incêndio com mais mortes nos últimos 50 anos no Brasil causou comoção nacional e grande repercussão internacional. Em poucos minutos, mais de 230 pessoas - na maioria jovens - morreram na boate Kiss de Santa Maria - cidade universitária de 261 mil habitantes na região central do Rio Grande do Sul.

A tragédia começou às 2h30 do dia 27, um domingo, quando um músico acendeu um sinalizador para dar início ao show pirotécnico da banda Gurizada Fandangueira. No momento, cerca de 2 mil pessoas acompanhavam a festa organizada por estudantes do primeiro ano das faculdades de Tecnologia de Alimentos, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A maioria das vítimas, porém, não foi atingida pelas chamas - 90% morreram asfixiadas.

Sem porta de emergência nem sinalização, muitas pessoas em pânico e no escuro não conseguiram achar a única saída existente na boate. Com a fumaça, várias morreram perto do banheiro. Na rua estreita, o escoamento do público foi difícil. Bombeiros e voluntários quebraram as paredes externas da boate para aumentar a passagem. Mas, ao tentarem entrar, tiveram de abrir caminho no meio dos corpos para chegar às pessoas que ainda estavam agonizando. Muitos celulares tocavam ao mesmo tempo - eram pais e amigos em busca de informações.

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