Ato em memória das vítimas reúne mil na Candelária

Lula e Sarkozy foram representados por ministros. ?Nos dois lados do Atlântico a dor é igual?, disse francês

Fabiana Cimieri, RIO, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2009 | 00h00

Cerca de mil pessoas participaram ontem do ato ecumênico em memória das 228 vítimas do acidente com o voo 447 da Air France, na Igreja da Candelária, no centro do Rio. O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, representando o presidente Nicolas Sarkozy, apresentou "ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao povo brasileiro os pêsames da França". Em discurso emocionado, no altar, ele comentou que todas as autoridades presentes tinham amigos no Airbus A330. "Normalmente o caminho Paris-Rio é de alegria. Todos nós pensamos no risco da vida moderna. Eu vim para lhes dizer que em ambos os lados do Atlântico a dor é a mesma", disse Kouchner. Segundo o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, que representava Lula, o presidente não foi ao ato porque chegara de viagem de madrugada. "Mas nosso sentimento é de solidariedade aos familiares das vítimas." O presidente deve participar hoje, às 18 horas, da missa em homenagem às vítimas do acidente na Igreja Nossa Senhora do Carmo, no centro. A informação é da secretaria da Presidência da República. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, em tom emocionado, lembrou que perdeu o chefe de gabinete, Marcelo Parente. "Quando soube que falaria durante a missa, fiquei na dúvida se deveria falar como prefeito ou amigo muito próximo de uma das pessoas acometidas pela tragédia. A dor é de todos, mas muito mais intensa nas famílias e amigos que perderam alguém."Para a mãe de Marcelo, Marieta, ainda é difícil acreditar na perda. "A esperança é a última que morre. Sem dúvida acredito num milagre." O pai do quarto na hipotética linha sucessória de um trono no Brasil, Pedro Luiz de Orleans e Bragança, Antonio de Orleans e Bragança, é menos otimista. "A gente sempre tem fé, mas estamos prontos para o pior", disse. Segundo o príncipe, o filho passou uma semana maravilhosa com a família no Brasil. Foram a Petrópolis, jogaram golfe e toda a família foi se despedir de Pedro Luiz, que morava na Europa. A Air France alugou três ônibus para trazer os familiares das vítimas para o culto, que reuniu representantes das religiões católica, ortodoxa, anglicana, presbiteriana unida, luterana, judaica e muçulmana, além da Assembleia de Deus. No início do ato, foram executados os hinos nacionais da França e do Brasil.COMOÇÃOO representante de cada uma das religiões presentes fez uma pequena homilia e, em seguida, as autoridades presentes também discursaram. O clima era de comoção dos parentes e muitos funcionários da Air France, da Agência Nacional de Aviação Civil e da Aeronáutica foram prestar solidariedade aos familiares das vítimas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.