Ato em SP reúne famílias vítimas da violência

Choro, tristeza e pedidos de justiça marcaram um ato religioso hoje na Catedral da Sé, em memória das vítimas de violência. O ato reuniu parentes, representantes de entidades e políticos, transformando-se em mais uma manifestação pública pela revisão da maioridade penal e das regras de punição dos adolescentes infratores. O culto foi promovido pela Associação Nacional de Defesa dos Direitos das Vítimas da Criminalidade (ADVC). Lá estavam os pais de Felipe Silva Caffé, Reinaldo Caffé e Lenice Silva Caffé. Estudante do Colégio São Luis, Felipe e sua namorada, Liana Friedenbach, foram assassinados pelo bando liderado pelo adolescente R.A.A.C., de 16 anos, o Champinha, em Embu-Guaçu.Também estavam na catedral, quase lotada, integrantes das Mães da Sé, do Movimento Paz e Justiça Ives Ota, da Associação Vítimas de Violência do Estado de São Paulo e o vice-governador do Estado, Cláudio Lembro (PFL).As mais de cem famílias de vítimas carregavam faixas de protesto, flores e fotos dos parente e vestiam camisetas com frases de protesto. Uma delas era Fumiyo Tokunaga Kurisaki, mãe de Danilo Masahiko Kurisaki - estudante de medicina que morreu com uma bala perdida, em 2001, em Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo. Ela faz parte da ADVC, onde trabalha para ajudar as famílias atingidas pela violência. "Desde que meu filho morreu, luto para que essa criminalidade diminua. Sou a favor da redução da maioridade penal e da prisão perpétua. Esses monstros têm de trabalhar na cadeia pelo resto da vida para sustentar suas famílias", disse.Lá também estava o pai do garoto Ives Ota, o comerciante Masataka Ota, que preside o Movimento Paz e Justiça Ives Ota. Ele luta há seis anos contra a impunidade e a violência, desde que seu filho foi seqüestrado de dentro da sua própria casa por três homens, um deles um policial militar que trabalhava como segurança de sua loja, e assassinado. "Trabalho para que as pessoas respeitem a vida e vivam em paz. Mas a gente só tem visto a criminalidade aumentar." E completou: "Esse caso da Liana e do Felipe só nos faz reafirmar que a maioridade penal deve ser revista. Sou a favor também da prisão perpétua. Esse adolescente (Champinha) não vai ficar mais do que um ano na Febem se as leis não forem revistas, e ele vai voltar para a rua para matar mais inocentes.Os infratores menores sabem que a Justiça não é dura para eles e é por isso que continuam cometendo crimes hediondos."

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