Ato lembra nove anos da chacina da Candelária

Nove anos depois da chacina da Candelária, familiares das oito vítimas e de sobreviventes participaram de um ato em frente à igreja, no centro do Rio. Uma missa foi celebrada em memória dos menores, assassinados por policiais militares.Um bispo anglicano, um pastor metodista e um padre participaram do ato, pedindo mais atenção do governo para os jovens carentes, para que casos como o da Candelária não se repitam. A cruz com os nomes das vítimas foi abraçada pelos manifestantes.Bala alojada na colunaPatrícia de Oliveira e Sônia Santos, as duas irmãs de Wagner dos Santos, testemunha-chave do crime, que foi morar na Suíça depois de sofrer um atentado, protestaram contra a falta de ajuda do governo. Por ter levado oito tiros - quatro na madrugada da chacina e outros quatro em 1996 -, ele precisa fazer três cirurgias. "Ele está até hoje com uma bala alojada na 7ª vértebra, é surdo de um ouvido, cego de um olho e tem paralisia facial", disse Patrícia. O governo do Estado do RJ paga uma pensão ao ex-menino de rua, hoje com 31 anos, mas o dinheiro, convertido para franco suíço, não é suficiente para ele se manter, segundo Patrícia. Santos trabalha numa empresa como soldador, mas está com dificuldades de locomoção.Sobreviventes assassinadosVários sobreviventes da chacina foram assassinados - a última vítima foi executada em setembro de 2000. Elizabeth Cristina de Oliveira Maia foi morta, aos 23 anos, em frente à sua casa, em Botafogo, na zona sul do Rio. Ela ia testemunhar, na semana seguinte, contra um ex-PM acusado de participar da chacina.A advogada Cristina Leonardo, coordenadora do Centro Brasileiro de Defesa da Criança e do Adolescente, que acompanhava os meninos que dormiam da Candelária, acredita que a situação dos menores carentes no Rio piorou nos últimos nove anos. "Antigamente, eles só pediam esmolas. Hoje, entram para o tráfico e cada vez mais cedo", disse Cristina. Para o juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude, Siro Darlan, o quadro está melhor. "O número de crianças nas ruas diminuiu sensivelmente."

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