Atos lembram um ano da Chacina da Baixada Fluminense

As manifestações que lembraram o primeiro ano da Chacina da Baixada Fluminense, que deixou 29 mortos em Nova Iguaçu e Queimados, começaram com uma missa na Igreja da Sagrada Família, em Nova Iguaçu, rezada pelo bispo da cidade d. Luciano Bergamin e acompanhada por cerca de 600 pessoas. O crime, cometido por policiais militares, ainda está impune e as famílias não receberam até hoje a indenização devida pelo Estado - a lei que confere de um a três salários mínimos por família foi publicada em setembro no Diário Oficial, mas até agora nenhuma pensão foi paga.Da missa, os manifestantes seguiram em passeata por cinco quilômetros pela Rua Gama. Num dos bares da rua, dez pessoas morreram, entre elas duas crianças. Ali, os familiares fizeram um minuto de silêncio, e seguiram para a Escola Municipal Douglas Brasil, nome de uma das crianças vítimas da matança.Enquanto caminhavam, os manifestantes recebiam a solidariedade de moradores da Rua Gama, que penduraram colchas, toalhas, lençóis e até fraldas brancas na janela. Alguns seguravam apenas folhas de papel. "Perdi meus amigos, vizinhos. Esse crime mexeu com todos nós. Ainda estamos muito assustados", disse a dona de casa Odete Carius Constâncio, de 60 anos, que estendeu a colcha da cama na frente de casa.O prefeito de Nova Iguaçu, Lindbergh Farias, defendeu a criação de uma rede de defesa da vida, formada por ONGs e igrejas, como forma de diminuir a ação de grupos de extermínio na Baixada. "Hoje, há uma certa aceitação da atuação desses grupos por comerciantes, empresários e até mesmo uma aceitação popular. Isso não pode mais ser tolerado", afirmou. Além da rede, foi lançado o Observatório da Violência da Baixada Fluminense, que reunirá dados sobre a criminalidade na região. A prefeitura de Nova Iguaçu começou a pagar na semana passada um salário mínimo para as famílias de 15 vítimas que moravam no município. A ajuda será dada durante um ano.

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