Atrás de assassinos, PM mata 3 em Jacarezinho

Em operação de busca de matadores de grávida, policiais entram em confronto com traficantes; bandidos reagiram à investida com granadas

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

20 de abril de 2009 | 00h00

Três traficantes foram mortos ontem pela Polícia Militar durante a operação de busca dos assassinos da técnica de enfermagem Leslie Lima da Vitória, morta grávida, na noite de sábado, perto do morro. Três pistolas foram apreendidas e serão periciadas para que se descubra se elas foram usadas pelos bandidos. A Secretaria de Segurança do Rio trata o caso como prioritário. Um criminoso conhecido como Renatinho teria atirado em Leslie, segundo aponta a investigação. Ele seria responsável por assaltos na região. A PM já havia procurado por ele e comparsas horas depois do crime, ocorrido no bairro de Maria da Graça, por volta das 20 horas de sábado. Na ocasião, houve troca de tiros, mas ninguém se feriu nem foi preso. No domingo, a PM não voltou à favela. Ontem, chegaram ao morro por volta das 8 horas da manhã cem policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Batalhão de Choque e dos batalhões do Meier, da Maré e de Olaria. Eles ficaram por lá até o início da tarde. Houve tiroteio entre PMs e traficantes no começo da operação e os criminosos jogaram granadas para tentar evitar a aproximação dos policiais. Moradores foram revistados. O comércio funcionou normalmente. Dois menores de 16 anos suspeitos de envolvimento com o tráfico foram detidos com pequena quantidade de maconha e cocaína. Leslie, de 32 anos e grávida de 7 meses, estava com o marido, Anderson Pinheiro Lopes, no carro, quando dois bandidos chegaram numa moto, anunciaram o assalto e ordenaram que abandonassem o automóvel. Lopes havia reduzido a velocidade do carro quando se aproximou de um semáforo na descida do Viaduto Engenheiro Alvarino da Fonseca, perto da Favela do Jacarezinho, justamente por se tratar de um lugar perigoso. A mulher foi baleada na cabeça quando tirava o cinto de segurança para sair do veículo. O bebê, que pesa 1,1 quilo e será batizado como Juliana, sobreviveu. A menina, que nasceu no Hospital Salgado Filho, onde a mãe morreu, está internada na Maternidade Carmela Dutra. Como é prematura, está recebendo medicamentos para que seu pulmão se desenvolva. Ela respira artificialmente (com a ajuda de um respirador) e seu quadro é estável. O delegado Carlos Eduardo Almeida, que começou a investigação no domingo, disse que três equipes passaram o dia de ontem na rua em busca de mais informações sobre o crime. "Estamos confirmando dados recolhidos no domingo quando conversamos com o marido, antes do sepultamento. Ele disse que não conseguiria confeccionar um retrato falado, então estamos tentando trazer alguém para que ele reconheça pessoalmente", explicou Almeida.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.