Atraso pode comprometer sonho da Grande Rio

A Grande Rio foi para a Marquês de Sapucaí para brigar pelo título, mas a perda de pontos, devido ao atraso de um minuto no encerramento do desfile, pode deixar o sonho mais longe. O atraso foi motivado pela grandiosidade das alegorias e pelo excesso de sambistas desfilando chão. A Grande Rio fez um belo desfile, cheio de efeitos hi-tech, carros alegóricos que abriam e fechavam, acrobatas desafiando a gravidade e alegorias muito bem acabadas. O tema era o Amazonas, enquanto eldorado encontrado por incas que buscavam refúgio dos conquistadores espanhóis, e não faltaram índios e criaturas da floresta. O carnavalesco Roberto Szaniecki fez ocas indígenas se transformarem em templos incas e colocou jacarés e serpentes para andar em plena Sapucaí - graças ao esforço de integrantes da escola, que desfilaram ora se arrastando no chão, dando vida aos jacarés, ora dentro de estruturas de palha, emprestando mobilidade às cobras. Destaques fizeram coreografias bem ensaiadas, dando graça ao desfile. Sessenta alpinistas e artistas de circo fizeram performances em diferentes carros e passaram parte do desfile de cabeça para baixo. O Teatro Amazonas foi representado num belo cenário quase todo branco, decorado com flores. Nesta alegoria, borrifadores espirravam um perfume floral, que dominou a passarela. A Zona Franca de Manaus e sua tecnologia de ponta também foi lembrada. No último carro, vieram telas com imagens de linhas de produção. Grande Rio vem com destaques de peso este ano A escola de Duque de Caxias chegou à Apoteose já com dia claro. Como de costume, entre seus 3.800 integrantes havia muitos artistas, como Isabel Fillardis, Raul Gazolla, Hugo Gross, Gilberto Barros e Castrinho. Zeca Pagodinho contava que desfilava pela primeira vez na agremiação. Portelense ilustre, o compositor disse que foi convidado pelo presidente de honra, Jayder Soares, por ser morador de Xerém, distrito de Caxias. Ele garantiu que não existe qualquer problema em sair nas duas agremiações. "Sou do mundo", justificou. Zeca revelou sem constrangimento não ter tido tempo de decorar a letra do samba. "Não consegui decorar nem as músicas do meu próprio disco", emendou, garantindo que estará na Portela na segunda-feira. A estrela maior da Grande Rio, claro, era a atriz Susana Vieira. Ela vestia uma malha bege com bastante brilho. Na concentração, apesar de demonstrar ter fôlego suficiente para muitos carnavais, disse que não voltará em 2007 à frente da bateria. "Estou cansada", explicou a atriz. "Eu acho que rainha da bateria tem que ser como eu: tem que se envolver com a comunidade, tem que ir à quadra, tem que pregar paetê se for preciso. As atrizes têm de agradecer muito às escolas de samba, porque ganham muita visibilidade", acrescentou. Até atingir a área da dispersão, Susana reverenciou os ritmistas, sambou, pulou, rebolou, mandou beijos e atraiu a atenção de todo o Sambódromo, das arquibancadas aos camarotes.

Agencia Estado,

27 Fevereiro 2006 | 06h54

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