Atrasos atingem 42,7% dos vôos nos aeroportos do País

Os passageiros voltaram a enfrentar mais uma dia problemático com atrasos em vôos nos principais aeroportos do País nesta segunda-feira, 20. Dos 1.270 vôos nos aeroportos do País, 651 sofreram atrasos superiores a 45 minutos, o que representa um total de 51,3% de vôos, segundo balanço divulgado pela Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero). Em alguns casos, a espera ultrapassou dez horas, mas a média ficou por volta de uma hora. Desta vez, a Aeronáutica ressaltou que o atraso não teve nenhuma relação com o controle de tráfego aéreo, que tem causado problemas em várias regiões do País. De acordo com o órgão, o problema foi causado pelas as fortes chuvas que caíram em Curitiba e região metropolitana, na tarde de domingo, que derrubaram árvores e acabaram danificando uma rede de fibras óticas da Embratel, na qual trafegam dados de comunicação do Centro Integrado de Defesa e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta 2), que coordena o espaço aéreo da região Sul do País.Com isso, algumas freqüências ficaram indisponíveis e a comunicação precisou ser realizada pelas que restaram, tornando-a mais lenta. "Isso fez com que vários vôos fossem retidos", disse o porta-voz do órgão. O problema, segundo o Cecomsaer, foi sanado durante a madrugada desta segunda.Além disso, o porta-voz disse que se somou um problema no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde um avião estourou o pneu, o que provocou interdição por alguns minutos. Outro problema é que, por volta das 23 horas, a tempestade que caiu em Curitiba chegou a São Paulo, atrasando vôos na capital paulista, com reflexo para outras regiõesInvasão de pista Um dos momentos mais tensos desta segunda-feira foi registrado na região metropolitana de Curitiba quando um grupo com cerca de 80 passageiros invadiu a pista do Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, por volta das 8 horas da manhã desta segunda, em protesto contra o atraso de um vôo da Gol, que deveria chegar em Curitiba às 22 horas de domingo e decolar para Foz do Iguaçu às 23h25. Os passageiros foram obrigados a passar a noite no saguão do aeroporto. Eles deixaram a pista cerca de 15 minutos depois da invasão, por interferência de policiais federais."A situação foi horrível, com crianças dormindo no chão, com frio e fome", reclamou a administradora de empresas Alessandra Albuquerque. Segundo ela, a invasão da pista foi um protesto contra o "descaso" por parte das autoridades aeroportuárias. "Um descaso muito grande de todos, exceto a Polícia Militar, que fez o Boletim de Ocorrência para a gente. Todos, Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária), Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e Gol, ninguém nos deu assistência", afirmou. De acordo com Alessandra, somente por volta das 6h30 de ontem a Gol deu um tíquete de refeição para cada passageiro. "Ninguém falou em hotel, ninguém falou em encaixar em outro vôo, ninguém falou nada disso. Foi descaso e, por isso, a gente invadiu a pista."Conforme a Infraero, das 108 operações previstas no Aeroporto Afonso Pena, 64 vôos tiveram atrasos médios de duas horas entre as 6 e as 18 horas desta segunda. Nenhum vôo foi cancelado. Movimento intenso No Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, os passageiros enfrentavam atrasos a partir de 40 minutos até o final desta tarde. Em alguns vôos essa espera se estendia por até três horas e meia. De acordo com a Infraero, das 6 às 17 horas, dos 50 vôos previstos, 30 apresentaram atrasos. A movimentação nos balcões de check-in da Gol e da TAM foi intensa, mas sem tumultos. Além da tempestade no Sul e o rompimento do cabo de fibra ótica, dois outros problemas contribuíram para a ocorrência de atrasos em Congonhas. O aeroporto chegou a ficar fechado por 40 minutos depois das 20 horas no domingo devido à chuva forte que caiu em São Paulo. Para complicar ainda mais a situação, por volta das 22h55, um jato executivo, que vinha de Manaus, derrapou na pista principal do aeroporto, que ficou fechada para pousos e decolagens até a 0h48. Nesse tempo, somente a pista auxiliar de Congonhas recebeu os vôos até as duas horas. Com todos esses transtornos, muitos passageiros passaram a noite no aeroporto e dormiram nas salas de embarque que, de acordo com a Infraero, pela primeira vez, ficaram abertas durante a madrugada. Das 19 horas de domingo às duas horas desta segunda-feira, 34 vôos atrasaram e 18 foram transferidos para o Aeroporto de Guarulhos.No Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, pelo menos 25 vôos atrasados - 14 decolagens e 11 pousos - com uma média de espera de uma hora durante a tarde. Apesar disso a situação no saguão do aeroporto era mais tranqüila do que no início da manhã desta segunda-feira, quando cerca de 500 pessoas promoveram uma manifestação. Segundo uma passageira, um policial teria sacado uma arma para intimidar os manifestantes.No Rio de Janeiro, no Aeroporto Internacional Tom Jobim, alguns vôos atrasaram mais de dez horas. Em um dos casos, passageiros que viajariam para Luanda tiveram que esperar cerca de 15 horas para embarcar, nesta segunda. No balcão de check-in da Gol, a fila chegou a se estender por 45 metros. Conforme balanço da Infraero, dos 108 vôos previstos entre 18 horas de domingo e 8 horas desta segunda, 59 atrasaram em média 1h50 e 9 foram cancelados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.