Atropelado pela cúpula, líder na Câmara acumula desgaste

Insistir na indicação de dois ''fichas-sujas'' para o Turismo reforça série de erros de Henrique Alves, na avaliação da bancada

Christiane Samarco e Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2011 | 00h00

A operação política montada em torno da sucessão de Pedro Novais produziu um perdedor: o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Além de não conseguir comandar o processo, ele acumulou desgaste político junto com a bancada, o vice-presidente Michel Temer, o Planalto e setores do PT que já estão de olho na cadeira de presidente da Câmara em 2013.

Fincar pé na indicação de dois deputados considerados "fichas-sujas" pelo Planalto - Marcelo Castro e Manoel Júnior - foi apenas um erro em meio à série de equívocos cometidos pelo líder, na visão de seus próprios pares. E Alves passou recibo do desconforto ontem, com um "discurso desabafo" no Encontro Nacional do PMDB. Queixou-se de ataques "mesquinhos" e disse que o partido "não tem medo de tempestades, nem de furacões, nem de ameaças, nem de cara feia, nem de constrangimentos".

Escolha. Embora seja identificado como expoente do grupo de José Sarney, Gastão foi fruto de uma articulação mais ampla, da qual participaram Temer, o ministro Mendes Ribeiro (Agricultura), e a governadora Roseana Sarney (Maranhão). Restou ao grupo de Alves o consolo de que, se algo der errado, a conta política será paga por Sarney.

Talvez por isso, seu primeiro tropeço na sucessão tenha sido o de tentar esticar a permanência de Novais no Turismo. Àquela altura, Alves estava preocupado em "salvar" o encontro do PMDB, que no dia seguinte reuniria três mil prefeitos, vereadores, governadores, deputados e senadores do partido em Brasília para tratar de eleições municipais.

Em um movimento rápido, Alves reuniu os vice-líderes da bancada para fixar o critério para a escolha do sucessor de Novais. Ao estabelecer que o novo ministro deveria ter mandato parlamentar, enviou o recado ao Planalto de que não aceitaria nomes articulados fora do Congresso.

Seus aliados dizem que este movimento teve nome e sobrenome. Citam o vice-presidente da CEF para Pessoas Jurídicas, Geddel Vieira Lima, e o ministro do Desenvolvimento Estratégico, Moreira Franco, que tinham a preferência de Temer para o Turismo. Dizem até que se o líder não foi vitorioso, emplacando o sucessor, tampouco saiu derrotado, porque fez valer o critério que levou à indicação de Gastão para substituir Novais.

O fato concreto é que ele não conseguiu construir uma solução de consenso e que a bancada também não fechou questão em torno dos nomes que ele propôs, endossando a escolha do líder.

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