Atuação de mineiro deixa tucanos mais tranquilos

As oito horas que o pré-candidato tucano a presidente, José Serra, passou ontem na capital mineira foram suficientes para firmar nele e na cúpula nacional do partido uma convicção: o ex-governador Aécio Neves e o PSDB de Minas não estão blefando quando prometem engajamento na campanha para elegê-lo.

BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2010 | 00h00

"Foi muito bom ter aberto a pré-campanha em Minas. A recepção foi fantástica e eu saio daqui muito feliz", disse Serra a Aécio no abraço de despedida, no fim da tarde.

Àquela altura, o presidenciável já havia discursado para uma plateia de cerca de mil líderes políticos e militantes dos partidos aliados, colhendo os primeiros sinais de boa vontade no segundo maior colégio eleitoral do País. Sua fala foi interrompida 12 vezes por aplausos.

A tática para superar a frustração geral com a ausência de Aécio na corrida presidencial é colar na alternativa paulista um carimbo mineiro. Isso é considerado fundamental para impedir o movimento "Dilmasia" - voto casado para a petista Dilma Rousseff e o governador tucano Antonio Anastasia, que disputa a sucessão estadual.

"Se o candidato não é de Minas, tem de ser o candidato dos anseios de Minas. É esta a transição que tem de ser feita para a campanha deslanchar aqui", resumiu Aécio ao Estado. Ontem, tanto ele quanto Serra cumpriram à risca o script pré-acertado.

Ao mesmo tempo em que o mineiro dizia a lideranças estaduais de cinco partidos (PSDB, DEM, PPS, PTB e PSC) que "votar em Aécio é votar em José Serra", o tucano vestia a camisa de candidato de Minas Gerais.

Em entrevistas e discursos aos políticos e empresários, ele se comprometeu a, se for eleito, atender a reivindicações históricas do Estado em obras de infraestrutura.

As cúpulas dos três partidos da aliança nacional (PSDB, DEM e PPS) estavam convencidas de que não haveria outra forma de começar a campanha em Minas que não fosse com um apelo enfático de Aécio ao líderes locais pedindo apoio a Serra.

Empenho. Tanto para os empresários com quem Serra almoçou na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), como na reunião política, Aécio procurou não deixar dúvidas de seu empenho para dar vitória dupla ao partido, elegendo Serra e reelegendo Anastasia - que era vice-governador e assumiu o governo do Estado após a desincompatibilização de Aécio.

Com a retaguarda do ex-governador, Serra sentiu-se seguro diante das várias plateias. "Estou muito à vontade porque não me sinto entre militantes; me sinto entre amigos, em casa", afirmou Serra, logo na abertura do discurso no encontro político organizado pelo PSDB.

Para fugir da pecha de candidato paulista e desmontar a rejeição dos mineiros, ele se apresentou como um candidato nacional dizendo que Minas estará "no coração e na cabeça". Ao sair, levou debaixo do braço o livreto com as reivindicações dos mineiros que terá de incluir no programa de governo.

Encerrou seu discurso afirmando que, caso chegue à Presidência, terá um objetivo do ponto de vista de Minas e do Brasil. "Compensar aquilo que o Juscelino e o Tancredo fizeram por São Paulo e pelo Brasil."

Serra referiu-se aos ganhos dos paulistas com a política desenvolvimentista e dos brasileiros, em geral, com a redemocratização. Citou também o governo de outro mineiro, o ex-presidente Itamar Franco, a quem o País deve a estabilização da moeda.

Do teatro do Sesiminas, onde ocorreu a reunião política, Serra voou direto para o Rio para encerrar a programação com uma visita à exposição sobre Tancredo.

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