Audiência sobre transporte em SP dura seis minutos

A primeira audiência pública para discutir a licitação para o novo sistema de Transporte Urbano proposto pela Prefeitura de São Paulo, realizada hoje de manhã no plenário da Assembléia Legislativa, durou apenas seis minutos, por causa do protesto e da confusão causados pelos Sindicato dos Motoristas e Cobradores. Apesar disso, o secretário municipal de Transportes, Carlos Zarattini, considerou a audiência válida. "Essa audiência dá início ao processo de licitação. Nós temos o prazo mínimo de 15 dias para a publicação dos editais", afirmou.Logo no início, Zarattini foi vaiado. Os manifestantes atiraram bolas de papel contra os apresentadores do projeto. Segundo a Polícia Militar, um deles jogou um molho de chaves contra o secretário. O manifestante foi detido e teve início uma confusão generalizada dentro do plenário. Pelo menos um dos manifestantes arrancou a placa de metal que protege o terminal de votação dos deputados estaduais e a atirou contra o apresentadores do projeto. Outro chegou a arrancar o terminal e também atirá-lo. A PM invadiu o plenário e conseguiu acalmar os manifestantes. Zarattini se retirou, escoltado pelos policiais.O secretário considera a resistência à implantação do novo sistema de transporte por parte dos motoristas como "a tentativa de um pequeno grupo que está a serviço de empresários retrógrados que não querem nenhuma mudança na cidade", avalia. Segundo o secretário, até esta manhã, oito empresas haviam assinado o novo contrato de emergência, que vai durar seis meses, para prestar o serviço na cidade. Zarattini afirmou que vai intervir, encampar, requisitar a frota ou transferir as linhas das empresas que até amanhã não tiveram assinado o termo.Para o presidente do Transurb, o sindicato dos empresários, Sergio Pavani, a intervenção não pode feita, pois as empresas estão operando sem contrato desde o dia 21. Ele avisou que se a Prefeitura encampar alguma empresa, terá de pagar indenização, pois seria apropriação indébita. ?Se isso acontecer, vamos discutir isso na Justiça?, disse. Os empresários vão se reunir na tarde de hoje para definir se assinam ou não os contratos de emergência.Os cerca de mil motoristas e cobradores estão reunidos em frente à Assembléia discutindo o rumo a ser tomado pela categoria. O sindicato considera que está diante de uma guerra deflagrada pela Prefeitura, já que eles temem as demissões conseqüentes da substituição de 2,5 mil ônibus por 7,5 mil lotações.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.